Santana: "Não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada"

Uma semana depois ter assumido, na televisão, que há que "ponderar, obviamente" uma candidatura à liderança, Pedro Santana Lopes voltou a falar na SIC Notícia. Não disse quase nada, mas disse o suficiente.

Santana de regresso à vida política activa
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Santana de regresso à vida política activa LUSA/MIGUEL A. LOPES

A frase é clara: Santana tomou uma decisão. Mas também é equívoca: não se percebe exactamente qual é. Sem avançar mais do que queria, neste momento, Pedro Santana Lopes disse esta terça-feira em declarações à SIC Notícias: "Não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada. Não estou condicionado por mais nada nem por ninguém!".

Santana deu ainda sinais de que quer voltar a ser presidente do PSD. "Quando tiver cumprido os meus deveres institucionais, com o Governo e com o meu partido, farei a confirmação do sentido da minha decisão", afirmou, dando a entender que há pequenos acertos por fazer, junto do executivo de António Costa (com quem aliás, já esteve reunido) e do próprio PSD.

A SIC Notícias acrescentou logo que Santana avançará, tal como vem sendo escrito, mas que ainda não escolheu o momento para apresentar a sua candidatura. Ao que o PÚBLICO apurou, o momento de oficializar este avanço chegará ainda esta semana, e poderá acontecer na Figueira da Foz, um dia depois de Rio se adiantar e apresentar a sua candidatura (o anúncio está marcado para esta quarta-feira, às 18h30, em Aveiro).

Há exactamente uma semana, também na SIC Notícias e enquanto decorria o conselho nacional do PSD, Pedro Santana Lopes defendia que há que "ponderar, obviamente" uma candidatura à liderança.

“Pode surgir alguém inesperado e não ser nenhum dos nomes já aventados", assumia o ex-autarca, no frente-a-frente com António Vitorino. "Consenso não há rigorosamente nenhum e não vai haver um só candidato", afirmou o antigo líder do PSD, que ainda acrescentou: "Não tem a ver com o número de tropas", porque nestas directas faz-se o país todo e tudo pode acontecer.

Em matéria de tropas, e numa altura em que vários sociais-democratas já disseram quem vão apoiar nas eleições internas de 2018, Rui Rio recebeu na terça-feira mais um apoio, desta feita de Portalegre. O presidente da distrital, Armando Varela, confirmou a título individual que estará ao lado de Rio. "Nesta altura, perante a não recandidatura de Pedro Passos Coelho, é quem está em melhores condições de conduzir o PSD nos próximos anos. É preciso que o PSD regresse às suas origens, ao seu eleitorado e que possa voltar a olhar para o centro como aquilo que decide eleições em Portugal", disse Armando Varela à agência Lusa.

Este apoio chegou um dia depois de ter sido tornado público um almoço entre Pedro Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém, sobre "o papel da Misericórdia no sistema económico e financeiro português” (palavras do Presidente), que foi interpretado como um sinal de que Santana já está na corrida.

Sobre isso, uma conta de Twitter conotada com apoiantes de Rui Rio questionou: “Será correcto um Presidente da República interferir na vida interna de um partido?” A pergunta ficou no ar.