Novela da segunda circular vai chegar ao fim

Audições requeridas pelo PAN e e Bloco de Esquerda foram recusadas.

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Nuno Ferreira Santos

A menos que novas revelações surjam, a novela da Segunda Circular não vai ter novos episódios. Na última sessão da Assembleia Municipal de Lisboa antes das autárquicas, os deputados chumbaram a audição de duas pessoas ligadas ao processo: Jorge Sousa, dono da empresa acusada de tentar manipular a empreitada, e Luís Machado, engenheiro que liderou a comissão de inquérito da câmara e que, no relatório final, fez aquelas acusações a Jorge Sousa. 

Soube-se no fim de Julho que ambos os homens tiveram conflitos profissionais no passado, o que motivou queixas de Jorge Sousa e levou o PAN e o Bloco de Esquerda a pedir que fossem ouvidos. “Parece-me de elementar justiça ouvir os dois”, disse esta terça-feira Ricardo Robles, do BE, que se disse incrédulo pelo facto de Jorge Sousa não ter sido ouvido em nenhuma fase do processo. “Como é que se faz um inquérito que dura dez meses, que produz um relatório com 70 páginas, e ninguém se lembrou de falar com este engenheiro?”, questionou.

Jorge Sousa é dono da Consulpav, uma empresa que foi contratada por outra empresa (a Coteprol, por sua vez contratada pela câmara) para elaborar o projecto de pavimento na obra de requalificação da Segunda Circular. Ora, a Consulpav é fornecedora de um dos materiais que propôs que fossem utilizados, mas a comissão de inquérito não conseguiu esclarecer se é a única em Portugal a vender esse componente. Depois de conhecidos os resultados do inquérito, o PAN divulgou na assembleia municipal que Jorge Sousa e Luís Machado, engenheiro escolhido para liderar a comissão, tiveram conflitos no passado. A câmara sabia, admitiu o vereador com o pelouro das Finanças, João Paulo Saraiva, ao PÚBLICO, mas isso não foi considerado relevante.

“Temos um conflito entre pessoas que, como tal, devia levantar um incidente de suspeição que devia afastar aquela pessoa”, disse agora o deputado do PAN, Miguel Santos, pedindo que ambos fossem chamados à assembleia. “Ao recusar a audição das pessoas estamos a recusar as funções para as quais fomos eleitos.”

As audições acabaram mesmo por ser chumbadas. “Não faz sentido”, argumentou o socialista André Couto.