Museu e Parque do Côa já têm director interino

Jorge Sampaio, arqueólogo ligado ao Vale do Côa desde 1995, vai ser o responsável técnico-científico até ao concurso internacional para a escolha do novo director.

Museu do Côa
Museu do Côa Nelson Garrido
Jorge Sampaio
Jorge Sampaio DR
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O arqueólogo Jorge Sampaio, com ligação ao Vale do Côa desde 1995, é o novo director interino do Museu e do Parque. A nomeação, por unanimidade, foi feita no dia 7 de Julho pelo novo conselho directivo da Fundação Côa Parque (FCP), e divulgada esta sexta-feira à comunicação social.

Jorge Sampaio, que tomou já posse na quinta-feira, vai ocupar “o lugar de responsável técnico-científico”, que substitui a figura do director, cargo até aqui ocupado pelo arqueólogo António Martinho Baptista, que entretanto se reformou.

O novo presidente do conselho directivo da FCP, Bruno Navarro, explicou ao PÚBLICO que a escolha de Jorge Sampaio se deveu ao seu “envolvimento e conhecimento do processo histórico do Côa desde praticamente o seu início”. “Além de mestre em arqueologia e da sua experiência profissional nesta área, Jorge Sampaio é um entusiasta e um apaixonado pelo Vale do Côa”, acrescenta o presidente da fundação, lembrando a sua ligação à abertura e ao funcionamento do museu, onde se ocupou especificamente da programação cultural, do Serviço Educativo e das relações institucionais.

O arqueólogo fez parte da equipa de investigação que estudou o contexto da arte paleolítica, tendo sempre em mente uma profunda preocupação em estreitar relações com as estruturas associativas locais e regionais – razões também invocadas pela fundação para a escolha. "Jorge Sampaio vai construir pontes, tanto internamente como com o exterior", disse ainda Navarro.

Nascido em Celorico de Basto, em 1974, Jorge Sampaio licenciou-se em Ciências Históricas pela Universidade Portucalense. Em 2009, concluiu o mestrado em Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese Abordagem experimental aplicada ao estudo de estruturas pétreas gravetenses do sítio de Olga Grande 4 (Vila Nova de Foz Côa). É autor de dois livros de História para crianças, além de vários artigos científicos dedicados ao mundo da arqueologia – área em que trabalhou também enquanto esteve profissionalmente ligado à câmara da sua terra natal.

O presidente da fundação especifica que o mandato de Jorge Sampaio será limitado, já que decorrerá apenas até à realização do concurso internacional para a escolha do novo director, como tinha sido anunciado pelo ministro da Cultura, e confirmado aquando da tomada de posse dos novos corpos gerentes da fundação, no final de Junho.

O lançamento do processo concursal “também já foi decidido por unanimidade, e desencadeado pelo conselho directivo da fundação”, acrescentou Bruno Navarro, prevendo que a designação do novo director possa vir a acontecer até final do ano.

Numa declaração à comunicação social, Jorge Sampaio apresentou como prioridades “a segurança dos núcleos de arte rupestre e a renovação da frota de viaturas destinadas às visitas guiadas”. Manifestou também a preocupação com "reforçar as linhas de investigação, o programa cultural e a actualização da estrutura tecnológica", além da necessidade de apostar no marketing e na comunicação.

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À Agência Lusa, o presidente da Côa Parque considerou que "estão criadas todas as condições" para relançar o projecto arqueológico do Vale do Côa. "Contudo, não há forma de acudir ao futuro da Fundação Côa Parque sem haver uma injecção de capital por parte das entidades que a tutelam", frisou.

Na administração da fundação, recorde-se, estão agora representados, além do Ministério da Cultura, também o da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em articulação com representantes do Turismo, do Ambiente, além da Câmara Municipal de Foz Côa, da Associação de Municípios do Vale do Côa e ainda da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Notícia actualizada às 17h46 com declarações de Jorge Sampaio.