Furto de material de guerra: Tancos não tem vídeo-vigilância há dois anos

O porta-voz do Observatório de Segurança Criminalidade Organizada e Terrorismo admite estar preocupado com a hipótese de o material militar chegar às mãos de terroristas.

O caso está agora entregue à Polícia Judiciária Militar
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O caso está agora entregue à Polícia Judiciária Militar Miguel Madeira

“Uma falha de segurança que nos deve preocupar a todos”. São palavras do general Loureiro dos Santos, em resposta às declarações de uma fonte policial não identificada que revelou ao Diário de Notícias que o sistema de videovigilância da complexo militar de Tancos está inactivo há dois anos. A notícia surge um dia após o furto de 44 lança-granadas e quatro engenhos explosivos militares “prontos a detonar” (os números são da mesma fonte, citada pelo DN). O Exército deu conta da ocorrência durante uma rusga na quarta-feira.

No comunicado enviado pelo Exército na quinta-feira apenas se dá conta do “desaparecimento de material de guerra, especificamente granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros”. No entanto, segundo o DN, nunca antes uma instituição militar portuguesa tinha registado um incidente desta gravidade: foram furtadas 120 granadas ofensivas, 1500 munições de calibre nove milímetros e 20 granadas de gás lacrimogéneo. Parte deste material com uso apenas autorizado a forças de segurança militares.

Fonte policial diz que a maior preocupação é o destino deste material. O porta-voz do Observatório de Segurança Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Filipe Pathé Duarte, explica ao DN que, “quando esse armamento entrar em circulação pelo espaço europeu, é de acesso fácil a grupos terroristas ou indivíduos que integrem células terroristas”.

As granadas são armamento de guerra para o qual é preciso treino militar, por isso, ficam excluídas do circuito nacional da criminalidade. Tal implica que a sua venda só possa ser feita através do mercado negro militar internacional, podendo ir parar às mãos de terroristas.

O ministro da Defesa já reagiu ao incidente que ocorreu na quarta-feira. Em declarações à Lusa, na quinta-feira, em Bruxelas, Azeredo Lopes garante que “não ficará nada por levantar” durante a investigação deste caso que considera “grave”. “Não foi roubada uma pistola, não foram roubadas duas, foram roubadas granadas”, sublinhou o ministro. Na altura, Azeredo Lopes disse ainda não ter "uma noção exacta do material que foi furtado".

O roubo ocorreu por volta das 18h de quarta-feira, em dois paiolins, arquitecturas militares de armazenamento de explosivos e munições, situados fora do perímetro das unidades na Área Militar de Tancos. Segundo o Exército, estes foram arrombados.

De acordo com o DN, os assaltantes terão cortado a rede de uma zona militar sem vídeo-vigilância e percorrido 400 a 600 metros até ao paiol. Ainda está por apurar se o crime foi, de facto, cometido por civis. O diário conseguiu ainda apurar que há suspeitas da ocorrência de outros furtos nos paióis, o que levou à verificação dos inventários de cada um.

O caso está entregue à Polícia Judiciária Militar, que deu a conhecer o furto ao Ministério Público e à Polícia Judiciária.