Entrevista

Montepio: “Ninguém me leva para onde eu não quero ir”

Pedro Santana Lopes reconhece que há menos nervosismo em torno do Montepio.

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Entrevista a Santana incluiu Montepio Daniel Rocha

O Governo deu-lhe algum prazo para dizer se pretende ou não, enquanto provedor da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, entrar como accionista no Montepio?
Não, não deu prazo nenhum.

Portanto, continua a pensar nessa matéria?
Há um trabalho que está a ser feito por uma equipa coordenada, da nossa parte, pelo vice-provedor. O tempo tem permitido que apareça a confirmação de que há outros interessados, de que há instituições financeiras interessadas. Tenho deixado passar o tempo porque gosto que os assuntos venham à tona da água e que as pessoas saibam o quadro em que as opções têm de ser tomadas para não parecer uma decisão misteriosa. Uma coisa posso garantir: todas as notícias que disseram que o processo estava à beira de ser concluído não eram manifestamente exageradas, eram absolutamente exageradas.

É uma questão que vê como responsabilidade social ou que o atrai do ponto de vista do investimento?
Isso trará muitas questões. Penso que a Santa Casa, de facto, poderia ter outro tipo de intervenções, mas há um caldo de cultura em relação à Santa Casa que não o torna nem justificável nem admissível e as pessoas têm receio, têm medo. E nós, quando dirigimos instituições, não devemos dar passos que firam a sua consciência identitária, temos de ter muito cuidado com isso. Por outro lado, um caminho desses seria mais aliciante se estivéssemos a construir um verdadeiro banco da economia social. Tem sido dito muito disparate a este propósito. Há vários bancos da economia social que trabalham com privados e instituições da economia social. Para ser só uma entrada da Santa Casa e de algumas outras misericórdias no Montepio acho muito pouco aliciante, muito pouco aliciante, ou nada mesmo. Se fosse um projecto como há anos vem sendo falado de criação de um verdadeiro banco da economia social, que podia ter alguma base no Montepio ou não, muito bem. Só que para isso o tempo é muito apertado. Esse é um projecto que demoraria um ano, no mínimo, a levar por diante.

E o Montepio pode esperar?
Pelo que me vai chegando, acho que o Montepio está mais calmo. Noto menos nervosismo à minha volta e isso é bom para o Montepio e para os depositantes.

Sente-se livre para dizer que não ao Montepio?
100 por cento livre. Não haja dúvida nenhuma. Ninguém me leva para onde eu não quero ir.