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Comissão Europeia tem de emitir parecer sobre aeroporto no Montijo, diz Zero

Associação ambientalista considera absolutamente crucial avaliar impacte nos ecossistemas do Estuário do Tejo. Ruído terá também que estar na agenda.

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O Estuário do Tejo é um dos maiores da Europa, alberga mais de 100 mil aves aquáticas invernantes evr Enric Vives-Rubio

A associação ambientalista ZERO diz que é essencial a realização de uma avaliação ambiental sobre o novo aeroporto no Montijo e afirmou que a Comissão Europeia terá de emitir um parecer sobre o impacte nos ecossistemas do Estuário do Tejo.

Portugal adoptou uma directiva europeia que levou à classificação da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e, por ser um projecto que teve conclusões negativas em termos de impacte ambiental, o que não há dúvidas segundo a Zero, é exigido o parecer europeu.  

O Estuário do Tejo, um dos maiores da Europa, alberga mais de 100 mil aves aquáticas invernantes, destacando-se o pato-trombeteiro, o ganso-bravo, a marrequinha e o flamingo, lembra.

“A utilização civil da Base Aérea do Montijo implicará necessariamente um forte aumento do tráfego aéreo, o que poderá ter impactes significativos na avifauna pelo sobrevoo de áreas da Reserva Natural do Estuário do Tejo e da Zona de Protecção Especial”, afirmam.

Isto poderá vir a ser um perigo para a própria aviação, por causa do aumento do risco de colisão com aves. Também impacte significativo poderá ter a eventual construção de infra-estruturas adjacentes às pistas em pleno Estuário do Tejo, “pela destruição e fragmentação de habitats de elevada produtividade e valor em biodiversidade, como as zonas de sapal”.

Este é um dos cinco aspectos críticos identificados pela associação ambientalista: poupança de recursos face a construção de raiz em Benavente. Ruído e qualidade do ar, acessibilidades e ordenamento do território são os outros. Foi considerado “absolutamente crucial”, pela Zero, a questão do ruído que afectará a zona da Baixa da Banheira, no concelho da Moita – será necessário garantir que as zonas afectadas vão cumprir rigorosamente os limites estabelecidos “para as zonas denominadas sensíveis e mistas”, dizem.

A Zero diz ainda que a avaliação deve incidir sobre três aspectos: justificar a necessidade de expansão do actual aeroporto e inventariar as consequências de não a efectuar, avaliar o funcionamento conjunto do aeroporto Humberto Delgado com a utilização civil da Base Aérea do Montijo, e comparar esta alternativa com a localização estudada para um novo aeroporto de raiz em Benavente, no Campo de Tiro de Alcochete.

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