O problema dos escombros mineiros

Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica detectou concentrações de partículas radioactivas acima do normal em várias minas analisadas.

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Os trabalhos de recuperação ambiental de várias zonas mineiras arrastam-se há anos Adriano Miranda

Os autores do último relatório do Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica sobre os níveis de radioactividade das antigas zonas de urânio concluíram que as escombreiras de uma série de minas analisadas, “abandonadas e sem confinamento, serão uma fonte persistente de contaminação radioactiva do ambiente durante séculos”.

O relatório, relativo a 2014, indica que naquele ano se registaram concentrações de partículas radioactivas (radionuclidos) dez a 100 vezes mais elevadas do que as de “ocorrência natural nos solos não contaminados da região”. Referiam-se em concreto aos resultados das análises aos escombros das minas do Forte Velho (Guarda), do Reboleiro (Trancoso), do Boco (Gouveia) e da Maria Dónis (Aguiar da Beira).

“É de realçar a elevada radioactividade dos escombros da mina do Forte Velho”, assinalaram, perante “valores muito elevados” de tório, sendo “escombros de minério que foi lixiviado para a extracção de urânio”, para além de “uma forte contaminação devido ao deslizar de materiais e escorrências superficiais da escombreira”. Diferentes concentrações, mas também em níveis elevados, foram encontradas na mina do Reboleiro, já não de tório (urânio) mas de rádio.

Nas outras duas minas, à data com materiais menos radioactivos do que nas duas anteriores (eram escombros mineiros e não de minério, pelo que não tinham sido tratados com ácido para extracção de urânio ou de rádio), “seria de esperar que a concentração de urânio estivesse quase em equilíbrio”, mas o que se encontrou foi teores de urânio superiores aos previstos.

Remediação ambiental demora

“O plano de recuperação das antigas áreas mineiras abandonadas é composto por três fases, que impõem um horizonte de realização alargado”, responde a administração da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro sobre o facto de os trabalhos se arrastarem por tanto tempo. À fase de elaboração do projecto segue-se a montagem do financiamento, que inclui fundos europeus e a disponibilização da contrapartida nacional e, por último, a execução de concursos.

A EDM afirma também que “em muitos locais têm sido realizadas sessões públicas” para explicação das soluções técnicas definidas, dando como exemplo a Urgeiriça. Por outro lado, tem procurado parcerias com os municípios onde os trabalhos foram concluídos, com acordos assinados até agora com Mértola, Nelas, Mangualde e Gouveia, em que antigas áreas mineiras foram cedidas para utilização das populações.