Greve dos enfermeiros com adesão "entre os 72 e os 75%"

Sindicato dos Enfermeiros Portugueses diz que muitos profissionais com vínculo precário "foram coagidos a não fazer greve". País precisa de mais 25 mil enfermeiros, sustentam sindicatos.

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Fábio Augusto

A greve dos enfermeiros está a ter uma adesão que se situa “entre os 72 e os 75%”, segundo adiantou ao PÚBLICO Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), num balanço ainda provisório à paralisação que se prolonga até amanhã. 

A greve tem subjacentes reivindicações que passam pela aplicação das 35 horas semanais a todos os enfermeiros, “incluindo os enfermeiros com contrato individual de trabalho”, como frisa Guadalupe Simões, o pagamento das horas extraordinárias a 100%, e a progressão nas carreiras.

As previsões iniciais apontavam para uma adesão ligeiramente superior, mas Guadalupe Simões diz acreditar que “muitos enfermeiros em situação precária são coagidos a não fazer greve”. Nas diferentes zonas do país, a paralisação oscila entre "os 60 e os 90%". 

Os sindicatos do sector reivindicam ainda a contratação de mais enfermeiros. Nos centros de saúde e hospitais, e nas redes de cuidados continuados e paliativos, faltam 25 mil enfermeiros, nas contas do SEP.

A precariedade presente no sector tem impulsionado o fenómeno da emigração desta classe de profissionais, calculando-se que, nos últimos cinco anos, “mais de 13 mil enfermeiros" tenham emigrado, diz a sindicalista, para quem “a tendência continua a aumentar”. 

Os enfermeiros cumprem aquela que é já a terceira paralisação nacional em 2016, a que se somam 13 greves regionais ou locais desde Maio passado.