Metade das causas de doença e morte tem relação directa com alimentação

Mulheres vivem mais do que os homens mas com menos qualidade a partir da terceira idade.

Pedro Cunha
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Pedro Cunha

Metade das causas de doença e de morte em Portugal têm relação directa com a alimentação, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), que aponta o consumo excessivo de sal e de açúcar como factores de risco para várias doenças.

Na conferência sobre o Plano Nacional da Saúde que decorreu esta segunda-feira em Loures, o director-geral da Saúde avisou que quase metade dos portugueses adultos tem hipertensão, sendo o consumo de sal uma das principais causas para aquela doença crónica.

“Pelo menos metade das causas de doença e de morte têm relação directa com a alimentação, sobretudo com o excesso de sal, mas também o excesso de calorias, as gorduras de fabrico industrial e o açúcar”, afirmou Francisco George em declarações aos jornalistas.

Um dos objectivos centrais do actual Plano Nacional de Saúde é a diminuição da mortalidade precoce (antes dos 70). Portugal quer ainda aumentar em 30% a esperança de vida saudável aos 65 anos em 2020, assumindo como fundamental ter programas que intervenham no grupo etário dos 50 a 60 anos.

Traçada como uma das metas do actual Plano Nacional de Saúde, o aumento da esperança de vida saudável aos 65 anos passaria nos homens a ser de 12,9 anos e de 11,7 anos nas mulheres. Actualmente, embora as mulheres tenham maior esperança média de vida, registam valores inferiores no que respeita à esperança de vida saudável. Ou seja, vivem mais que os homens, mas com menos qualidade a partir da terceira idade.

O aumento da esperança média de vida saudável e a diminuição da mortalidade precoce (antes dos 70) são duas das quatro grandes metades definidas no plano, que contempla ainda objectivos mais dirigidos às gerações mais jovens. Um deles é a redução da prevalência do consumo de tabaco na população com mais de 15 anos e a eliminação ao fumo ambiental, enquanto o outro é o controlo da obesidade na população infantil para que não aumente em relação aos valores actuais.

Segundo a DGS, as melhorias de vários indicadores de saúde, que se registaram até 2008, desaceleraram a partir dessa data e até 2012, coincidindo com o período de crise, o que pode dificultar algumas das metas previstas no Plano Nacional de Saúde.

O coordenador do plano, Rui Portugal, explicou que, no período de crise e de assistência financeira, os indicadores foram evoluindo, mas o ritmo de melhoria foi menor do que nos anos anteriores.

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