O estado absurdo de Portugal. The Man (pt. 1)

Para um português — esse ser com pouca autoestima, como é sabido — salta logo a atenção uma banda norte-americana chamada Portugal. The Man (importante: no meio, não uma vírgula, mas um ponto final). Convém desde já esclarecer que a razão deste nome não obedece a nenhuma lógica inteligível. A coisa explica-se por um sentido de humor absurdo de quem cresceu no estado americano mais absurdo em paisagem e clima, o Alaska. Imagine-se que noutro lado qualquer uma banda se chamava “Lisboa. O Passarinho” (atenção ao ponto). Pois... seria um absurdo (ou não!). John Gourley, líder da banda, achou que este “non sense” fazia sentido para o seu “alter ego” e assim é que chamava a atenção da banda. É rapaz com voz sensível, compõe um indie-rock irrepreensível e diversificado, escreve sobre as suas experiências, mas nunca alcançou uma atenção cimeira no panorama do pop-rock mundial. Embora, na música alternativa a banda seja um nome bem consolidado. Criou-a há mais de dez anos e sendo um tipo com pinta, humorado e, parecendo que não, arrumado da cabeça, gosta de pensar nas ideias para os videoclipes. Talvez por isso tenha sido o protagonista em muitos deles. Cómicos, por sinal. Quando começa a expor as suas ideias mais sérias (ler a segunda parte deste texto), no vídeo “Guns and Dogs” de 2010, recorre a um talentoso diretor de fotografia. No ano seguinte, depois de assinar por uma “major”, encontra então meios para concretizar algo ambicioso e digno de atenção. Para o álbum “In The Mountain In The Cloud”, convidou outra vez Michael Ragen para sacar da faixa “Sleep Forever” uma obra cinematográfica, que é um videoclipe majestoso. São mais de treze minutos de extrema beleza, loucura, crueldade e… de absurdo — o vídeo foi rodado com 50º abaixo de zero (arrepia só de imaginar!). Gourley fez aí o papel de um caçador que passa um calvário pessoal após uma situação desesperante, e isolado perante um ambiente inóspito e avassalador. A duração pode ser longa para um videoclipe, mas a história não, e agarra o espetador até ao fim. Na parte final inclui também o tema “Got It All (This Can’t Be Living Now)”. E com isto, e com a mão da Atlantic Records, chamou verdadeiramente a atenção. Eu inclusive, que só a partir daí os tive debaixo de olho. Ou melhor, debaixo da orelha, porque, pela graça de Deus, finalmente poderei vê-los ao vivo no Vodafone Paredes de Coura (este sábado, 20 de agosto). A graça invocada é que não tem graça nenhuma para esta banda, mas isso explicarei na segunda parte do texto.

 

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

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