Quem vê, “morre” com Thee Oh Sees. É certinho!

Antigamente, no século passado, os videoclipes eram difundidos pela TV, onde apenas um grupo limitado de pessoas os escolhiam. Atualmente, na era das redes digitais, somos nós todos que o fazemos. Todas as pessoas têm agora um papel importantíssimo na sua difusão. Logo, perante esta realidade, a indústria musical e os próprios realizadores começam a estar conscientes da necessidade de os concetualizar de modo a favorecerem a partilha. Por isso, uma das tendências tem sido apostar nos chamados “vídeos dramáticos”. Com força narrativa, ou impacto psicológico/emocional, porque essa é umas das motivações que levam as pessoas a partilharem, por sentirem que os outros, os amigos da rede, também reagirão. Em suma, para se ativar o diálogo online: "like", "comment", "share" – essas formas comunicativas da socialização digital. E assim fica aqui explanado sucintamente esse fundo psicológico que faz mexer isto tudo. The Oh Segredooo... diria. E um perfeito exemplo disso é o destaque desta Curadoria de Videoclipes. O tema “Toe Cutter – Thumb Buster” dos Thee Oh Sees é apresentado com uma história que impressiona sempre pela sua violência, mas com aquela estrutura exemplar para os videoclipes atuais: usar os ritmos e as nuances melódicas para acentuarem os picos emocionais da narrativa, conceber três ou quatro sequências, para manter a atenção volátil do espetador, e finalizar com um desfecho surpreendente. E claro, se houver uma dose, por leve que seja, de divertimento, ironia, enfim, de humor, melhor ainda. Ou seja, tudo aquilo que o realizador John (not so) Strong já tinha desenvolvido no videoclipe anterior da banda, mas como narrava uma desesperada aventura gay num bar com meninas quase despidas a dançarem no varão dentro do balcão, achei que talvez fosse demasiado agressivo para a moral dos estimados leitores do Público-P3. Portanto, veja-se o vídeo acima, do qual passo a fazer a sinopse.

 

Entrar a matar: 

- No dia 12 de agosto, esta banda lança um novo álbum; para a semana, no dia 18 de agosto, atua no Vodafone Paredes de Coura.

Quem vê, quer mais:

- no mês seguinte, voltam cá (numa Vala... qualquer: "wink", aqui do escriva)

 

A banda é assim: sempre a abrir, sempre a malhar. Veste roupas de tipo rock, garage, noise, psychedelic, art-punk, post-punk. Coisas da cena californiana, linha Ty Segall, por aí. Ao vivo, são de fugir. Uma curtição de morrer. Há dois anos, no palco secundário do mesmo festival, quase que um fã era esganado em palco. Exagero, era o líder da banda (John Dwyer, vocalista e guitarrista) a mangar com o segurança. Vieram cá apresentar o álbum “Drop” desse ano. Era o 15.º, imagine-se! No seguinte, lançaram talvez o mais aclamado pela crítica, o “Mutilator Defeated At Last” (estão a acompanhar a cena do vídeo, certo?). Este ano já lançaram um ao vivo.

 

O líder da banda viu outras coisas e tinha de atacar:

- Mete o passado no saco e convida não um, mas dois novos bateristas. (Um deles chama-se Moutinho; apenas um pormenor sem importância nenhuma). É que assim malham com outra força.

 

Final surpreendente:

- Chegam este ano ao palco principal do Vodafone Paredes de Coura e todos vão querer vê-los. É que é certinho! Todos. (Thee... Oh! Sees... nome diz tudo)

 

Legenda final:

- Quem não for, fica a chuchar no dedo para se sentirem vivos.

P.S.: Batam o rato neste sublinhado que é para saberem o que é bom; ou como se faz um bom videoclipe.

 

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

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