Mãos estranhas em Um Corpo Estranho

Esta curadoria, como nós (VIDEOCLIPE.PT) fazemos no P3 sobre videoclipes portugueses, está para além da mera escolha dos links que nos adicionam na nossa plataforma. Divulgamos bandas (desconhecidas ou consagradas) e realizadores, mas também tentamos suscitar iniciação esclarecendo um pouco da abordagem criativa. Ora, ser criativo, numa habitual performance musical, significa desconstruir um modelo com mais de 40 anos, ou seja, pensar numa forma inusitada de filmar a interpretação a partir dos elementos básicos: boca, cara, busto, corpo, instrumento, etc. Logo, há um bom pressuposto concetual neste “Onde Quero Arder” (tema de avanço do segundo álbum), já que o duo Um Corpo Estranho surge “flagelado” por mãos estranhas, metaforizando o exorcismo interior que a música versa e ajustado ao arreganho deste rock. Além de o cuidado visual do realizador António Aleixo fazer até lembrar quadros clássicos por momentos. Porém, este recurso (mãos sobre rostos) não é propriamente original e, à luz do que frequentemente alertamos devido ao contexto digital atual, carece de mais variações. Mas sabendo da parca orçamentação nacional para estas obras audiovisuais, nada mal.

 

Texto escrito de acordo com o novo Acordo Ortográfico.

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