Tolentino Mendonça recorda que obra de Lídia Jorge o incentivou a começar a escrever

Teólogo e escritor recebeu o prémio da Associação Portuguesa de Escritores e da Câmara de Loulé.

O cardeal patriarca de Lisboa, Guilherme d'Oliveira Martins, Bento XVI, Tolentino Mendonça e Manoel de Oliveira, durante a visita do Papa a Lisboa em 2010
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O cardeal patriarca de Lisboa, Guilherme d'Oliveira Martins, Bento XVI, Tolentino Mendonça e Manoel de Oliveira, durante a visita do Papa a Lisboa em 2010 Daniel Rocha/arquivo

José Tolentino Mendonça recebeu nesta quinta-feira o Grande Prémio Literário atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e Câmara de Loulé, no género Crónica e Dispersos Literários. Numa cerimónia destinada a assinalar “O Dia da Cidade” foi também homenageada com a medalha de honra do município, a mais elevada distinção local, a escritora Lígia Jorge.

O poeta e teólogo, dizendo-se “feliz e emociado” com o reconhecimento pelo seu trabalho, lançou um alerta de inquietação: “Vivemos num tempo de respostas muito fáceis, soluções de pacotilha”. O dever do escritor, disse, é testemunhar a “beleza arrepiante que é nossa companheira de todos os dias, mesmo quando, historicamente, nos parece que estamos afundados na lama”. 

A leitura de o Dia dos Prodígios, revelou, foi o despertar de Tolentino Mendonça para escrita. Na altura, com 15 anos de idade, escreveu uma carta a Lídia Jorge, “num misto de atrevimento e adolescência” a tecer algumas considerações sobre o “universo mental e a vida interior das personagens” retratadas nessa obra, que conta vivências de um lugar ao sul. Para sua surpresa, disse, recebeu uma resposta “muito generosa” que lhe falava do processo da escrita, estimulando-o a enveredar por esse caminho. “Deu-me as chaves para eu ter a minha própria experiência pessoal”, afirmou.

Além da obra premiada, o presidente do júri, Casimiro de Brito adiantou que, entre a meia centena de candidaturas, foram apreciadas “sete ou oito grandes crónicas” de valor igualmente  assinalável. Sobre o título do livro Que coisas são as nuvens, disse, deixa todo o campo aberto à imaginação do leitor.  As nuvens, disse, tal como as crónicas, ”enquanto género literário (se é que se pode dizer isto), é talvez o género literário menos palpável”.

Por sua vez, o presidente da Associação Portuguesa de Escritores referiu-se ao premiado como sendo “uma grande figura da nossa cultura, singularíssima e rara”. O conjunto de crónicas, publicadas no semanário Expresso, reunidas em livro, é “exemplar pela grande e singularidade dos temas e profundidade da análise”. O júri do prémio, no valor de dez mil euros, foi constituído por Casimiro de Brito, José Ribeiro Ferreira e José Cândido Oliveira Martins.