Da esquerda para a direita (e sem Teresa Tavares, que estava em Lisboa durante a visita do Ípsilon): Rita Blanco, Márcia Breia, Alexandra Rosa, Cleia Almeida, Vera Barreto, Íris Macedo, Ana Bustorff, Sara Norte, Teresa Madruga, Anabela Moreira
Da esquerda para a direita (e sem Teresa Tavares, que estava em Lisboa durante a visita do Ípsilon): Rita Blanco, Márcia Breia, Alexandra Rosa, Cleia Almeida, Vera Barreto, Íris Macedo, Ana Bustorff, Sara Norte, Teresa Madruga, Anabela Moreira FOTO: Paulo Pimenta

Mulheres em marcha

Desde 11 de Janeiro que 11 actrizes vivem e trabalham como verdadeiras transmontanas: num supermercado, numa pastelaria, no centro de saúde, na agricultura… Levarão essas vidas durante uma peregrinação a Fátima. O que as move? Ámen, um filme que João Canijo.

Ainda há pouco o termómetro batia nos -2. São oito da manhã, paramos o carro à porta da casa que Anabela Moreira partilha com Sara Norte e Márcia Breia. Uma casa de aldeia, com carrinho de mão à porta, tábuas de madeira encostadas à parede, tanque da roupa e tralhas várias nas traseiras.

A actriz rapidamente aparece, de gorro e xaile de lã. Normalmente faz este caminho a pé: desce pelas ruelas de Rio de Fornos, aldeia vizinha de Vinhais, atravessa a estrada e sobe até casa do sr. António, o Toino. Cumprimenta, calça as galochas pretas com andorinhas brancas – ele já tem as suas nos pés.

Uma breve visita guiada: ao lado da casa, o fumeiro, com os presuntos e chouriços pendurados. As paredes estão escuras do fumo, mas os enchidos enfeitam o tecto como se fosse dia de festa. Anabela Moreira, que desde há dois anos passa longos períodos em Rio de Fornos, veio à matança do porco, em Dezembro. Também ajudou as mulheres da casa a preparar alheiras, presuntos, chouriços. Estão 17 espáduas (as pernas da frente do animal) penduradas; ao canto, uma enorme mesa quadrada, a salgadeira. Passa tudo por ali. Parece já conhecer os segredos todos. Fala das várias partes do porco, da suã (a carne junto à coluna); e a propósito, diz o ditado da terra: “Suã, barba untada e barriga em bã”. Ou seja, suja muito, pela gordura, mas enche pouco.

Os dias de trabalho começam assim, de “barriga em bã”: antes de qualquer outra coisa, alimentam-se os animais. É um novo ritual para a actriz, uma rotina para Toino. Oito vacas, cinco porcos, uma égua. Dois vitelos foram há pouco para o matadouro. “Tive pena do touro, que brincava comigo. O sacana gostava de mim”, diz Anabela Moreira.

É preciso atravessar o terreno, pisar os ouriços das castanhas caídas no chão, sentir quebrar as ervas esbranquiçadas pelo gelo, marcar com as botas os caminhos de lama. Todos estes sons nos ligam à terra. Sentimo-nos quase sugados por um ar frio, límpido, primordial.

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Há uma vaca quase a parir, diz-se pelo caminho. Mas entra-se no estábulo e está já um vitelinho de pé, a mãe a comer a placenta. Toino afasta as entranhas com um ancinho, diz que não são um bom alimento. O bebé procura desajeitado e sem sucesso as tetas da vaca, castanha e branca. “Não nasceu há mais de uma hora”, avalia Toino.

Há outra vaca para apartar da sua cria – ao fim de oito dias tem de ser, para não lhe sugar o leite todo. Anabela abre uma portinhola mas tem dificuldade em fazê-la sair para o telheiro, onde estão as outras. Toino acaba o serviço. Ela carrega a palha para o chão – “chama-se a isto estrumar, é para elas se deitarem”, explica – e o feno para alimentar os animais.

- Ponho mais um bocadinho?

- Se quiseres.

Os gestos são seguros, sem denunciar que quem está ali é uma actriz e não uma mulher da terra. O mesmo quando despeja a aveia demolhada para os porcos bísaros – “têm as orelhas maiores, descaídas” -, e volta a encher um balde de cereal seco e o mistura com água para o dia seguinte.

- Aqui são dois irmãos. (Mais um balde)

- E os porcos bebés (Mais outro)

Como se vai chamar o novilho acabado de nascer? Toino brinca, ou talvez não: “Anabela”.

- Ainda falta a égua, rapariga.

- Eu sei. É preciso abrir a água.

E se tivesse de fazer tudo sozinha? “Já sabia. Pelo menos uma semana aguentava-me”. Acreditamos.

Faz-se o caminho de volta. Toino, de 50 anos e guarda da GNR, conta que é ele e a mulher, Fátima, quem apanham as castanhas nos seus 25 hectares de terreno. “Este ano só deu seis mil quilos”. Se fossem os dez mil que esperava, teria de pagar a jeira (um dia de trabalho) para ter ajuda.

Agora é a vez deles. Presunto de porco bísaro embebido em vinho tinto – para tirar o sal, explica Anabela Moreira – e passado nas brasas, posto em cima de fatias de pão que também foram à grelha. Mais uma chávena de café e está o mata-bicho completo. “Ela merece, é boa trabalhadora”, diz Toino. “Parece que já nasceu na terra.” A cozinha tem fogo de chão e dois bancos corridos, um de cada lado, para quem se quiser aquecer.

Num dia normal, Anabela seguiria para o supermercado Nova Era, em Vinhais (distrito de Bragança), onde passaria o resto da manhã a trabalhar. Nada estranho para as mulheres daqui, começar com as tarefas da terra antes de seguir para o emprego. Mas se ela não é daqui, porque o faz?

Não é só ela. As onze actrizes do filme que João Canijo vai começar a rodar na segunda-feira, Ámen, instalaram-se na aldeia a 11 de Janeiro – e espalharam-se por Vinhais para trabalhar num café de beira de estrada (Rita Blanco), numa fábrica de enchidos (Ana Bustorff), no infantário da Misericórdia (Cleia Almeida), na escola secundária (Teresa Madruga), a ajudar o homem que apoia peregrinos (Márcia Breia e Sara Norte), numa pastelaria (Íris Macedo), no centro de Saúde (Alexandra Rosa), no posto de Turismo (Teresa Tavares), numa quinta (Vera Barreto).

Querem viver como onze mulheres transmontanas que se preparam para uma peregrinação a pé a Fátima (a mais longa, com mais de 400 quilómetros). Ficar a saber como falam, como pensam, que dificuldades sentem, que histórias levam. Na vida real a romaria leva nove dias; as filmagens levarão nove semanas. Ámen será a história desta caminhada, das tensões e das mudanças trazidas por um esforço quase sobre-humano.

Hoje Anabela Moreira não vai para o supermercado porque haverá conversas sobre o guarda-roupa, de casa em casa, onde elas estão alojadas em grupos de duas ou três. É preciso fazer corresponder as necessidades das actrizes às das personagens. Quantos pares de ténis iguais a este? De que cor devem ser as calças? “O Canijo quer cor-de-rosa”. “Ela tem dinheiro, não é farrapona”. “Não me apetece nada andar de saias nessas funções.” “Fato de treino não tenho e não quero”. “Eu é quase tudo preto”. E por aí fora.

É preciso escolher várias peças da mesma roupa para permitir trocas ao longo das filmagens. Escolher meias que se adequem à caminhada. E principalmente, escolher aquilo que qualquer mulher transmontana vestiria quando se fizesse à estrada.

Não será uma nova peregrinação – todas já a fizeram (excepto Sara Norte, que chegou mais tarde ao projecto), com percursos idênticos ou aproximados – mas o esforço não é necessariamente menor. Será uma espécie de circo ambulante, com 30 pessoas a percorrer caminhos estreitos, a câmara colocada num tuc-tuc eléctrico para diminuir o ruído, a andar a sete quilómetros/hora. O percurso é o real, mas claro que nem tudo será feito a pé. Imaginamos as parecenças: a exaustão, as discussões, a tensão, a reconciliação, a zanga outra vez.

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Ana e Cândida
Tem 60 anos e “uma vida de luta”. Se hoje Cândida Lopes tem 30 pessoas a trabalhar para ela e o marido foi porque em tempos era tão persistente que até as mãos ficavam em sangue: “Ia para as obras ajudar a puxar os fios de electricidade, aquilo cortava”.

A sua sala de estar está repleta de fotografias, sobretudo da neta. Em cima da lareira, o resto da família, incluindo a mãe. Foi por ela que fez as suas duas peregrinações a Fátima a pé. Estava doente, com Parkinson e a filha de Cândida prestes a casar. “Casamento sem a Gracinha não haveria, porque ela era o meu bibelot”. A filha casou, a mãe assistiu, e ela pôs-se a caminho.

Partiu de Vinhais com mais onze pessoas e num dia chegaram a Macedo de Cavaleiros, a 50 quilómetros de distância. O apoio ia à frente, organizando restaurantes e hotéis. “O grupo não pode ser muito grande – uns querem café, outros água e temos que esperar. Dez minutos fazem-nos muita falta. Mas poucas pessoas também desanima. Doze é o ideal. Somos um elemento".

Sempre com o seu cajado na mão, nunca se sentiu demasiado cansada, conta agora. “Quando lá cheguei foi uma emoção enorme. Liguei-lhe e disse ‘mãe, ouve comigo os sinos de Nossa Senhora’. Ela não acreditava que eu fosse capaz. Só acreditou quando viu os vídeos… A emoção é muito grande, nem que não queiramos somos obrigados a chorar. Até as pedras choram.”

Da segunda vez, fez sozinha a primeira parte do trajecto. Caminhava e o marido ia buscá-la ao fim do dia para passar a noite em casa. Na manhã seguinte deixava-a no sítio que tinha assinalado na véspera com um monte de pedras. Depois, juntou-se a um grupo que vinha de Bragança. Ficou com mais bolhas nos pés por causa da chuva. “Não havia capas que aguentassem”.

A emoção da chegada repetiu-se? “Se uma foi grande, a outra foi maior. Continuava a ter a minha mãe. Entreguei-me a Nossa Senhora: ‘Obrigada divina Nossa Senhora. Agora faz o que quiserdes’. Eu já não podia pedir mais”.

Maria do Amparo é também devota. Vai a Fátima há oito anos – não se sabe se este será o último. Não vai para pedir nada, vai para conquistar um espaço de redenção e transcendência. É assim que a descreve Ana Bustorff, a actriz que encarna a personagem, e que lhe escolheu o nome (“há um grande desamparo na Amparito, como lhe chamo”). “Eu também preciso de ser redimida”, diz. “Tenho pouca fé em mim própria, procuro a fé nas pessoas”.

Toda esta outra vida – “sou sempre eu, com a minha voz, os meus sentimentos” – permite-lhe uma catarse. “O processo é saber existir e não representar. É isso que procuro como actriz”.

O cenário não é o mais expectável para uma conversa deste género. Estamos no refeitório da fábrica de enchidos onde tem estado a trabalhar, a Vifumeiro.

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CÂNDIDA LOPES. Empresária de Vinhais, de 60 anos, leva “uma vida de luta”. Já fez por duas vezes a peregrinação a pé

Antes, a própria actriz fez-nos uma visita guiada. Há cheiro a gordura e fumo no ar. Ana Bustorff está fardada a rigor: bata e avental de plástico, botas de borracha, toca na cabeça, tudo branco. Pega na metade de um porco e põe a enorme serra eléctrica a funcionar. Vai cortar apenas o pé. “Depois corta-se a costela”. O gesto exige uma desenvoltura que provavelmente só é conseguida com muitos meses de trabalho. Aqui nesta sala desmancha-se o animal para separar o que vai para salpicão, chouriça, alheira.

O chão, amarelo seco, está escorregadio por causa da gordura. Na cozinha há panelas industriais onde se coze a carne (porco e aves). “Continuo sempre a ser orientada por elas. São as minhas mestras. Eu não é de alheiras que gosto, é delas.”

Na sala ao lado desfia-se carne. Ana Bustorff junta-se às funcionárias. “No primeiro dia, durante a lavagem da tripa fiquei muito enjoada, mas depois não.” É também aqui que se mistura o tempero. Para as alheiras, uma pasta de sal, malagueta e alho. E finalmente o pão, que também é feito lá, cortado em pedaços. O que resulta daqui vai para encher a tripa, na sala em frente, com máquinas.

Os corredores estão gelados, mas as salas quentes. Sobretudo a do fumeiro, com as suas portas em ferro pretas: a lenha está em baixo, os enchidos pendurados em carrinhos de ferro em cima. As alheiras ficam ali cinco horas, depois têm de arrefecer até irem para a câmara de refrigeração. No fim são embaladas: 14 por saco, três mil quilos por dia.

Ana Bustorff tenta passar por todas as etapas do processo para estar com toda a gente – na grande maioria mulheres. “Venho para me integrar, miscigenar… Quero pertencer aos lugares onde estou. Quero deixar os meus sentimentos nas pessoas, na fábrica, nas pedras, no rigueiro de Fornos”.

Rita e Zeca
Há uma comunhão aqui. O céu está azul, os cães andam de um lado para o outro, a neve do dia anterior continua imaculada no chão e nas árvores, os ramos que não estão brancos estão dourados pelo sol. "Se isto não é lindo, o que será?", pergunta sem perguntar Rita Blanco. Isto é lindo. É o Parque Natural de Montesinho.

Rita e Maria José (todos lhe chamam Zeca) andam diariamente por aqui, durante várias horas se for caso disso, cada uma com os seus três cães. São duas amigas à conversa, sobre os animais, terrenos, projectos, sobre banalidades da vida. Passa-se de caminhos largos para carreiros apertados afastando ramos e galhos, saltando de uma pedra para a outra. Há momentos em que a vista se abre e vê-se Vinhais lá em baixo, ou os cumes brancos da serra da Coroa ao longe.

A rotina começou por não ser assim. Zeca tem um café em Rio de Fornos, o Flor da Ponte. Rita Blanco ia para lá servir ao balcão, porque essa é a biografia da sua personagem, Ana Maria. Imagina-se o furor: toda a aldeia e arredores a ir ver como a actriz (protagonista da novela Coração D’Ouro a passar em horário nobre na SIC) despacha a clientela, numa vida pseudo-real.

“A mim não adianta estar a servir cafés”, diz agora, sentada na cafetaria do Parque Biológico onde está hospedada (é a única que não está em Rio de Fornos; começou por se alojar em Travanca, meia dúzia de quilómetros a norte, mas a neve às vezes deixava-a bloqueada). “Vou fazer de palhaço, que está ali e as pessoas vão lá para me ver? Não me interessa nada”.

O que interessa é saber como é que seria ela, Rita Blanco, se tivesse nascido em Vinhais, com todo o seu percurso feito aqui. Que escolhas seria obrigada a fazer e que escolhas teria feito?

 “A maior parte das mulheres não vão àquele café. Vão os homens que trabalham nas terras e à noite vão beber um copo, jogar às cartas. Ela vive num mundo de homens. É uma mulher tesa, muito verdadeira. Vou buscar coisas à Maria José e ao que me conta de outras pessoas. Não posso ser a Maria José [no filme], posso ser eu, com as condições de outra pessoa.”

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É para isso que servem os longos passeios no parque – “o meu processo foi ter a Maria José só para mim”. Juntam-se estas duas mulheres a parece que uma terceira resultará dali, a personificação das coisas que uma partilha com a outra durante a caminhada. Será Ana Maria? “No meio da paisagem e de sítios onde ninguém vai, muita coisa acontece. Vi sítios extraordinários com ela. Tenho de amar isto como se fosse o sítio onde nasci”.

Estes estágios, com as actrizes a viverem um quotidiano que não é seu mas da personagem, fazem parte do processo habitual de João Canijo. Rita Blanco impõe-lhe alguns limites. “Preciso de fazer uma peregrinação para saber o que é. Preciso de saber as motivações, tenho de conhecer o cansaço. Construi este processo com ele. Mas têm que chegar coisas novas, senão começa a esvaziar-se... A cópia do real não me interessa, para isso faz-se um documentário.”

Pelo meio também é preciso “chegar às razões pelas quais temos vitalmente que filmar… Fazer mais um filme é-me indiferente. Tenho que perceber porque é que o faço. Temos de entender juntos porque fazemos, como fazemos, onde fica o sítio onde nos interessa ir?”

Não é religiosa – “a minha religião é o amor”. Mas acha que Fátima ocupa, para os peregrinos, um lugar semelhante ao da arte: “uma busca de evasão e transcendência, de alguma coisa maior do que a própria vida. O que é a arte? É isso.”

Talvez Maria José concorde. O que é certo é que ir a pé até Fátima “era um sonho de criança”. Guardou o segredo para si, e em Maio de 2008 foi pela primeira vez. Voltou a cada dois anos. É provável que salte 2016 porque no ano que vem estará lá certamente: faz 100 anos das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos e o Papa Francisco vai lá estar.

Diz que a sua vida mudou depois da primeira romaria. “Apercebemo-nos que não precisamos assim de tanto para viver. As coisas materiais já não têm valor nenhum”.

Dir-se-ia que é uma profissional das peregrinações. Não faz bolhas nos pés, nem fica com dores insuportáveis. “Às vezes tinha vergonha. Tenho uma resistência fora do normal”. Conta um truque: “hidratar bem os pés. Gasto todos os cremes que já estão no fim da validade”. Leva saúde e boa disposição: “Gosto de ajudar, canto, rezo, lanço os foguetes”. Mostra os lenços que os peregrinos assinam depois da jornada, cheios de dedicatórias onde se reconhece a sua ajuda e boa energia.

“Enquanto eu puder, vou. Dá-me a impressão que há qualquer coisa que me chama. Há aquele apelo e a gente precisa de ir.” Nunca por promessa, só para agradecer a Nossa Senhora, “porque muitas vezes somos mal agradecidos”.

Podem chegar exaustos, mas “na última subida, tudo se supera”. E no regresso, “vimos tão levezinhos, completamente libertos de tudo, sem peso, parece que andamos no ar”.

Há quem lhe diga que é mesmo parecida com Rita Blanco. “Somos muito directas – ou vai ou vai. Somos despachadas, sem papas na língua”. A preparação do filme está a ajudá-la a tirar conclusões sobre si própria: “Tem-me ajudado a pensar. Se calhar fiz algumas coisas certas na vida, não foi tudo errado”.

PÚBLICO - Durante dois meses, onze actrizes estiveram em Vinhais para um estágio
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PÚBLICO - Francisco Pires fotografado em sua casa, em Rio de Fornos
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PÚBLICO - Ana Bustorff na sala onde se cozem as aves para as alheiras da fábrica Vifumeiro
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PÚBLICO - Daniel, o assistente do sr. Francisco, que o ajuda também nas peregrinações
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PÚBLICO - O passeio de Rita Blanco com Maria José
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PÚBLICO - Ensaio das actrizes com João Canijo, no Parque Biológico de Vinhais
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Alexandra e o padre Luís
A casa fica mesmo pertinho da igreja. Por isso, apesar de ter um funeral às cinco, o padre Luís Morais vai-se deixando ficar à conversa nas escadas do seu quintal, cigarro atrás de cigarro, as beatas atiradas para o meio das couves. As montanhas em frente, imponentes, uma eternidade de verdes e castanhos.

O padre tem olhos cor de avelã, 44 anos, cabelo curto, mãos de quem trabalha. “Claro que sou eu quem cuida do quintal, quem havia de ser? Não tenho empregados”. Agora couves, no Verão tomate e o que for. Não está primoroso, mas dá certamente para mais do que a sopa gasta.

O concelho de Vinhais tem cerca de nove mil habitantes (quatro mil na vila) e sete padres, dois já de bastante idade. Ele tem, por isso, que espalhar o mal pelas aldeias, isto é, uns dias dá-se missa aqui, outros acolá.

É de Bragança e está em Vinhais desde 2004. Não nota que as pessoas de cá sejam mais devotas. “Já poucos irão à missa religiosamente. É mais funerais, casamentos e baptizados.” Cada vez mais funerais do que outra coisa. O problema, diz, não é a falta de religiosidade. “As pessoas não estão desligadas. A igreja é que se calhar não lhes dá o acolhimento de que necessitam”.

Também Alexandra Rosa tem de andar por essas aldeias fora. O seu personagem – Maria do Rosário – é uma enfermeira do centro de saúde (com 50 anos, sem filhos e solteira, o que não é muito comum por aqui). Na vida real é preciso ir com a equipa do centro prestar cuidados a quem não se pode deslocar. Numa manhã, são bem capazes de passar por dez domicílios. Ela não dá injecções nem muda pensos – não poderia – mas vê mudar.

Diz que a população do concelho está envelhecida e os números dão-lhe razão: segundo o INE, 37.81% dos habitantes têm mais de 65 anos; por cada 100 jovens há 493 idosos (a média nacional é 138,6). “Em geral, as pessoas aqui vivem bem. Mas algumas – especialmente as mais velhas – vivem em muito más condições.” Há muitos hipertensos e diabéticos, adianta. “A alimentação de fumeiro não ajuda muito”.

Em todo o caso, e apesar de não conhecer a realidade em Lisboa, por exemplo, arrisca dizer que “aqui a rede de apoio é muito melhor. A relação com os utentes é mais próxima. Há uma rede familiar forte”. O próprio presidente da junta “leva algumas velhotas para as aulas de hidroginástica”.

A actriz descreve uma rotina real: “Há médico e enfermeira de família. Elas pesam, vêem as vacinas, fazem uma triagem”. Há mais utentes de manhã, porque muitos aproveitam o transporte escolar para lá chegar. O centro também se enche todos os dias 9 e 23, quando a feira ocupa a rua principal e as pessoas que vivem mais longe se juntam para dividir o táxi; fazem as compras e aproveitam para ser vistas pelo doutor.

Alexandra Rosa acompanha as consultas, de bloco de notas no bolso, tira apontamentos quando ninguém está a reparar, para depois os partilhar com Canijo. “Sempre que tenho oportunidade ponho um monólogo de uma história que ouvi. Não são coisas íntimas, são expressões que posso usar modificando um pouco”.

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Todos os anos, Francisco Pires dá apoio a peregrinos que vão a pé até Fátima

Sara e Francisco
Casas de pedra, ruas estreitas. Passa-se a fonte, vira-se à direita. O sol já está quase a deitar-se. O fogo de chão da casa do sr. Francisco Pires, em Rio de Fornos, está aceso, mas “o Inverno ainda não chegou”, diz ele. A primeira neve só caiu há três dias. Dois bancos corridos em madeira, um de cada lado da lareira (ele é que os fez), paredes pintadas de amarelo, duas janelas para as montanhas ao longe, dois presuntos pendurados na chaminé a curar (o porco foi morto antes do Natal; ficou vinte e tal dias no sal e agora fica até à Páscoa).

Pouco depois aparece o seu ajudante, Daniel, que se move como em sua casa. É ele quem põe as alheiras na grelha, em cima das brasas. As alheiras foi a mulher do sr. Francisco quem fez. “Este pão já tem dois ou três dias mas ainda está bom!” Presunto e queijo em cima da mesa, distribui facas, pratos, garfos – “são visitas, não têm de comer como nós”. Insistimos que sim, que o pão chega para amparar o petisco, mas o anfitrião está decidido.

Quando prepara as refeições durante as peregrinações também leva pratos, copos e talheres de verdade. Mais um fogão industrial e duas botijas de gás, um gerador para ter luz à noite, um frigorífico para guardar os produtos frescos.

Começou por ir ajudar a mulher a cumprir a sua promessa. E desde então, passaram-se 15 anos, dá auxílio aos peregrinos da zona que querem ir a Fátima a pé. A sua carrinha branca, com três beliches, e a rulote atrelada, com duas camas de casal, dão dormida a dez. A mulher fez, entretanto, nove vezes a peregrinação, “duas por promessa, as outras por gosto”. Mas “antes ir a pé do que no meu lugar: põe a mesa três vezes, carrega botija, lava a loiça…”

Das mais de 150 pessoas que já levou até agora, só duas desistiram. A saída faz-se de Moimenta, “antigamente levava-se 12 dias a chegar, agora ao nono dia está-se lá, às vezes ao oitavo”.

“Em 2014 levei a Vera Barreto e a Anabela Moreira. Em 2015 levei todas menos a Sarinha Norte… Comiam sempre o que eu fazia, nunca puseram defeitos”.

Na casa ao lado, que era dos sogros do sr. Franciso, Sara Norte está a acabar de secar o cabelo. De seguida dá leite ao gato que tem andado a rondar a casa; a cadela do Daniel, a Túlipa, também tem aparecido e dormido por lá. Senta-se no banco corrido no alpendre, a apanhar o sol da manhã. Fala-nos de Carla, uma rapariga nada religiosa que teve um passado problemático. “Uma pessoa que está zangada com Deus e com ela própria. Carrega uma culpa muito grande”.

Já Sara Norte teve fases em que deixou de acreditar em Deus, “mas acho que já fiz as minhas pazes. Desde que estou cá já fui à missa duas vezes”. Não foi a Fátima, como as outras actrizes, “mas adorava ter ido. Quem sabe se no futuro não o farei. Não sei se não faço uma promessa, isto pode mexer comigo: ver até que ponto estas pessoas vão ao limite por acreditar numa coisa”.

O seu personagem não faz a peregrinação a pé, apenas vai para ajudar a avó (interpretada por Márcia Breia), organizadora da romaria. As duas deslocam-se na carrinha de apoio – que é mesmo a do sr. Francisco, com quem têm passado o seu tempo –com ele e com Daniel também. Têm o estágio à porta de casa, portanto. “O que o Daniel faz, eu faço”, diz Sara Norte.

Ganhou peso, porque “aqui as pessoas têm pouco cuidado com a alimentação”, mas tem de se manter em forma para o trabalho físico que a espera: “põe a mesa três vezes, carrega botija, lava a loiça”. Vai ajudando nos acrescentos que estão a fazer à casa do sr. Francisco. “Já ajudei a fazer o chão, a parede, já pintei, apanhei lenha.”

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Vera e novamente Anabela
E tu, Vera, porque irias a Fátima? A pergunta foi feita por Canijo como ponto de partida. Vera Barreto responde agora, a uma mesa da pastelaria Santa Clara (onde trabalha a actriz Íris Macedo): “Eu não iria. Só se fosse por outra pessoa”. É como Maria Fernanda, que ela interpreta. Vai pela mãe, que “não está em condições”.

A “Nanda” vive dos negócios de família – pecuária, castanheiros, nogueiras – juntamente com o marido e os pais. Vera Barreto está numa quinta, trata dos animais, presta atenção às tarefas domésticas. “Em estágios, gosto de observar sem interferir. E aqui pode interferir o facto de sermos actrizes. A observação é sempre ligeiramente alterada”. O ideal, diz, é quando todos se “esquecem” da presença uns dos outros.

“Este processo é uma luta. Acredito nele, sei que é necessário, mas não é sempre confortável. A ideia é precisamente não estarmos confortáveis”, explica. “O desafio é criar uma aproximação e uma distância ao mesmo tempo”. Ou seja, encontrar os pontos de contacto entre actor e personagem, enquanto se recua para ver “o que não faz parte de nós mas tem de ser integrado”.

Fez esta peregrinação em 2014, com Anabela Moreira. “É um horror que tem um lado muito bonito também. Quando se põe as pessoas em situação limite vem sempre o pior e o melhor. Criam-se ligações muito profundas.” Foi comovente, à chegada, “olhar para a emoção das outras pessoas”.

Agora estamos na sala de jantar da casa de Anabela Moreira. Passa das 22h30 e temos um radiador aos pés porque está um frio de rachar. Não tirou o gorro preto de lã que trazia da rua, e fuma cigarros em catadupa. Em Vinhais não se arranja dos electrónicos.

Antes de fazer a peregrinação, Anabela Moreira pensava que a romaria “fosse uma coisa mais espiritual, ir ao encontro de alguma coisa profunda”. No seu caso, começou como actriz, para ganhar a experiência. “A certa altura tive que arranjar coisas minhas para ter forças para continuar”.

Em questões de fé, há mais perguntas do que respostas, “e neste processo fiz questão de as ter. Não se pode ter sentido crítico sobre uma coisa que se está a trabalhar interiormente de forma tão profunda. Houve alturas do caminho que se eu não tivesse passado a acreditar não teria continuado”. Acreditar em quê? “Em algo muito poderoso que despertamos dentro de nós”.

Ao mesmo tempo, dá-se um estranho processo de auto-descoberta. “Não é fácil vermo-nos numa situação limite. És obrigada a pôr-te em causa. ‘Afinal, eu também sou isto, eu fiz isto, eu disse isto’. As outras são um espelho daquilo que és.”

Fala num lado quase trágico do percurso. “Há pessoas que chegam lá enlouquecidas, outras ficam com problemas para sempre, outras morrem atropeladas na N117… Quando cheguei a Fátima falei com um padre e ele chorou comigo, por aquilo que as pessoas passam. Os atalhos que há são os próprios peregrinos que vão deixando para os que vêm atrás. Não há nada organizado. Estão à sua sorte”. Anabela Moreira pretende mudar isso. “Sofri as dores de um peregrino e há muita coisa para ser feita”.

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Cleia e Ondina
A Inês chora com a presença de estranhos. Em segundos já não é só ela, todos choram. É uma sinfonia de choros, ora entra um grupo, ora o outro, ora todos ao mesmo tempo. “Dás-me festinhas, Maria Inês?” Cleia Almeida é, na sua vida transmontana, auxiliar da sala dos 12 aos 24 meses do jardim de infância da Misericórdia. Tenta acalmar a “orquestra”.

Cabelo apanhado em rabo-de-cavalo, calças de ganga, bata, como todas as outras funcionárias. “Olha a Cleia que te vai dar um colinho”, diz a educadora. “Vim para esta sala por causa da minha filha [da mesma idade] mas foi uma péssima escolha. Ela não compreendia porque é que a mãe estava aqui, com a bata das professoras, a mudar fraldas”. A Mafalda passou ali 15 dias, o tempo da visita à mãe para matar saudades.

Cleia Almeida vai à porta receber um menino que está pelo segundo dia na creche e que não parece nada contente com isso. Passeia-o no enorme átrio quadrangular para onde convergem todas as salas porque ele recusa-se a ficar fechado.

As rotinas são as de qualquer outro jardim de infância. E como em qualquer outro, os micróbios propagam-se depressa. “Já fiquei três vezes doente”, queixa-se enquanto assoa o nariz.

As educadoras Marlene, Solange e Carolina ajudam-na a formar o seu personagem, Maria de Fátima – “já fui à Patrícia das unhas para ficarem iguais às delas…” Castanhas claras, pouco arredondadas. Não é por acaso que estão todas na casa dos 30. “São mais da minha idade. Se elas não dizem ‘má com’á fome’ eu não vou dizer [no filme]”.

Uma transmontana de 33 anos não fala como uma transmontana de 58, como Maria do Carmo, a trabalhar aqui há 24 anos. Encontramo-la na cozinha, no meio das panelas. Quem quiser saber as expressões da terra que vá ter com ela. “De repente não me sai nada!”. É só esperar um pouco.

Bô = era o que faltava

Carai = está-se mesmo a ver o que é: “bolas”, na versão polida

Azeda como o rabo de um gato = mázinha

Lato = recipiente em lata para lenha

 “As pessoas ficam todas com inveja das fotos que eu ponho no Face [Facebook] com a Cleia”, diz uma orgulhosa Maria do Carmo.

- Vou levar alheiras este fim-de-semana [quando for para Lisboa].

- E onde as compras?

- No ‘não sei quê’ Gourmet.

- São boas.

O sotaque aprende-se aqui também e afina-se nas aulas de coro, todas as terça-feiras às 18h30. “Não é ‘os olhos’, é ‘o jolhos’”, exemplifica a actriz. “E usam muito o ‘vós fazeis’”. Nessas aulas, as actrizes aproveitam também para aprender as músicas que se cantam durante as romarias. Iremos ouvi-las cantar em Ámen?

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ONDINA MATIAS. É esteticista do salão Eduarda. Foi duas vezes a pé até Fátima: a primeira por promessa, a segunda para dar graças

No salão Eduarda ouve-se pouco mais do que os ponteiros do relógio pendurado na parede violeta, a bater nas 14h05. À direita, a fila de cadeiras. Só há uma cliente e o penteado ainda não precisa de secador. À esquerda, a mesinha onde se arranjam as unhas. No meio dos vernizes – azul, roxo, castanho, laranja, rosa choque, branco – um cartãozinho com Nossa Senhora de Fátima.

Fica-se a saber: hoje às 16h00 haverá uma missa por um homem de 67 anos que morreu com cancro, há um mês deram-lhe um mês de vida; anda por aí uma virose que desarranja os intestinos; houve mais um acidente de carro.

Ondina Matias, 57 anos, é esteticista e, juntamente com a irmã, dona do estabelecimento. É dela o cartãozinho com a santa, que usa como marcador dos livros. A devoção é, portanto, evidente. Já fez duas vezes a peregrinação. Conta tudo, como se falasse de uma festa. “A primeira vez foi há oito anos. Tinha feito uma promessa pelo meu marido, que andava depressivo. Todos os meses tínhamos que ir ao Porto fazer os tratamentos.” Optou por redireccionar a fé, e não só do ponto de vista geográfico. Não foi na igreja que fez a promessa, foi mesmo em casa, “num momento de grande nervoseira”. “Achei que se lhe pedisse Ela me atendia. E fui atendida. Cumpri no ano em que ele melhorou”.

O dia começava às cinco da manhã, com pouca coisa no estômago; às nove paravam para tomar o pequeno-almoço. O banho fazia-se quase sempre nas associações de bombeiros, “um dia foi em casa do presidente da junta de Vale Benfeito”, mas às vezes também nos tanques que encontravam pelo caminho. “Era gelado, era”. Retomava-se a caminhada até às 13h00, para almoçar e descansar até às 15h00. Depois era andar novamente até às 19h00. “Até Foz Côa não há ninguém [para ajudar]. Depois começam a aparecer associações que dão laranjas, iogurtes, e sítios com enfermeiras”.

Só houve um homem que desistiu ainda em Macedo de Cavaleiros, por causa das bolhas de sangue nas palmas dos pés. Já ela não sofreu de grandes maleitas, excepto o habitual: “caíram-me as unhas todas, nas descidas batem nas pontas dos ténis”. Usava pensos, um algodão especial entre os dedos, que acabou por deixar de lado, um par de ténis dois números acima – houve quem tivesse acabado por os cortar à frente para deixar os dedos mais libertos. “As dores piores são na canela, mas à noite lá púnhamos uma pomada”.

Fala-se de quê pelo caminho? “Porcarias, porcarias! Pouco se reza, hã?! Rezávamos o terço de manhã, falávamos mal uns dos outros, dos que iam à frente, contavam-se anedotas”. Mais a sério: “São muitas horas, dá tempo para tudo: meditar, pensar na vida, para a palhaçada”. Dá também para se “fazer de psicólogo” porque os ânimos às vezes esmorecem.

As rectas de Marialva (distrito da Guarda) foi a parte mais difícil. “Horrível, horrível. Parece que não se anda. Não há uma sombra”.

A segunda vez – “já eu cantava de galo” – não foi por promessa. “Fui por acção de graças, para agradecer [a Nossa Senhora] o que me tem dado: saúde de espírito, saúde de corpo, a mim e à minha família”. E é assim que tem de ser, sem pedir nada em troca, acha agora. “É um bocadinho de chantagem: ‘dou-te isto se me fizeres aquilo’. Se rezarmos e pedirmos com fé não precisamos de prometer nada para seremos atendidos. Temos que nos mentalizar que não precisamos de prometer para receber”.

Fala de Nossa Senhora de Fátima quase como quem fala da melhor amiga. “A minha relação com Ela tem-se vindo a modificar com a idade”, diz. “Algum problema que eu tenha, falo logo com Ela. Atende-me sempre. Também não lhe peço que me saia o Totoloto! E ajudo a que se resolva, que ela sozinha não consegue fazer tudo. Ela sabe tudo da minha vida e não conta nada a ninguém. Aborreço-a muito!”

Não entende porque é que “essas actrizes estão aí todas a trabalhar. Com certeza algumas irão cumprir uma promessa. O que isso vai trazer para o filme não sei. Se calhar vai fazer o filme mais verdadeiro”.

Todos gajas

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