PSD acusa esquerda de “tentativa baixa de aproveitamento político” e defende Maria Luís

José Matos Correia garante não haver incompatibilidade ou impedimento para a ex-ministra aceitar o cargo, diz que a lei está a ser cumprida e recusa problemas para a imagem do PSD.

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Ex-ministra das Finanças diz que discussão sobre salários não pode ser "populista" Daniel Rocha

O PSD está confortável com a contratação de Maria Luís Albuquerque pela consultora Arrow Global mesmo com a ex-ministra a manter-se como deputada, e acusa a esquerda de estar a fazer uma “tentativa baixa” de aproveitamento político “inaceitável” e a deturpar o caso. “Em política não vale tudo e nós temos que ser capazes de medir as nossas palavras e as nossas atitudes”, afirmou o social-democrata José Matos Correia.

O deputado e vice-presidente do PSD afirmou no Parlamento que Maria Luís Albuquerque “está evidentemente disponível para prestar os esclarecimentos que se considerarem adequados junto da subcomissão de ética”. E defendeu de forma acérrima a deputada e ex-governante alegando que a sua contratação “em nada belisca a lei portuguesa. Não há nenhuma incompatibilidade, nenhum impedimento que pudesse obstar à aceitação deste convite para o exercício destas funções.”

O social-democrata argumentou que se trata de uma “contratação para funções não executivas, de aconselhamento do ponto de vista do quadro macroeconómico e regulatório” e que o convite “é mais do que compreensível tendo em conta a enorme competência e capacidade de Maria Luís Albuquerque”. Disse que o caso de Maria Luís Albuquerque respeita as regras de incompatibilidade e impedimentos e defendeu que em democracia e no exercício de funções políticas “não pode haver juízos morais” ou éticos porque isso introduz na discussão uma “lógica de subjectividade que é inaceitável”.

Matos Correia recusou que haja qualquer problema para a imagem do partido – “para o PSD isso não é uma questão”, desvalorizou – e questionado pelo PÚBLICO sobre a polémica não contribui para denegrir ainda mais a imagem dos políticos na opinião pública, o dirigente social-democrata atirou a responsabilidade para a esquerda. “Se isso acontecer - infelizmente é provável que aconteça porque a opinião pública já tem à partida uma opinião negativa sobre os políticos -, os políticos é que se podem queixar disso. Não aqueles que agiram de acordo com as regras, mas sim quem não hesita em lançar lama sobre os outros, não percebendo que a lama que lança sobre os outros também recai sobre eles."

O vice-presidente do PSD acusou os partidos que apoiam o Governo de fazerem declarações “objectivamente falsas” sobre o assunto e defendeu que, enquanto ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque “não teve nenhuma relação com esta empresa [Arrow Global, que comprou crédito mal parado ao Banif, que teve intervenção estatal] nem condicionou nenhuma decisão com ela relacionada”. Matos Correia partiu para o ataque: “Eu percebo que o PS, que quando era Governo ficou conhecido por dar indicação à CGD sobre que créditos devia ou não dar, tenha pesos na consciência. Mas isso não significa que todos os Governo sejam como os socialistas. (…) Nós não nos imiscuímos na administração das empresas. Se houve um negócio perfeitamente legítimo e lícito com uma instituição britânica ou com instituições portuguesas que compraram carteiras de créditos a várias instituições portuguesas, nunca o Governo teve nenhuma intervenção nesse processo.”