Maria de Belém é a primeira mulher candidata às presidenciais?

O histórico do CDS Adriano Moreira falou da antiga ministra da Saúde como a “primeira” mulher candidata à Presidência da República. Terá razão?

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Maria de Belém na apresentação da sua candidatura à Presidência da República Daniel Rocha

A frase

O contexto

Numa entrevista à Antena 1, o antigo presidente do CDS discutiu o elevado número de candidatos à Presidência da República – a três meses do final do mandato de Cavaco Silva são 14 os candidatos que já anunciaram a intenção de participar na corrida a Belém. Adriano Moreira desvalorizou o número, notando que só três, Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, teriam potencial para se manterem como candidatos até ao fim. E acrescentou que, apesar de não apoiar nenhuma candidatura, se entusiasmava com a antiga ministra da Saúde: “É um sinal de que a situação de inferioridade das mulheres ao longo dos tempos tem recebido golpes sérios. Para apagar [estas falhas] tem levado muito tempo.”

Os factos

É verdade que as eleições presidenciais portuguesas não têm sido pródigas em mulheres candidatas, mas há um nome que salta à vista: Maria de Lourdes Pintasilgo. A engenheira química, e única primeira-ministra de Portugal, foi também candidata independente na corrida presidencial de 1986, ganha por Mário Soares à segunda volta. As eleições de 1986 ficaram conhecidas por serem as mais disputadas de sempre, com uma competição cerrada entre Mário Soares do PS, Salgado Zenha, que teve apoios do PCP e do PRD, e Freitas do Amaral, pelo PSD e pelo CDS, que na altura era liderado por… Adriano Moreira. As presidenciais de 1986 marcaram ainda a entrada generalizada de candidatos de origem civil nas eleições, que até aí tinham sido dominadas por candidatos com passado militar. Maria de Lourdes Pintasilgo, que gozava do prestígio que recolhera enquanto primeira-ministra, apostou numa candidatura independente muito personalizada, mas à qual faltava a força das máquinas partidárias. Acabou a primeira volta das eleições com 7,4% dos votos.

Em resumo

Adriano Moreira tem razão quando lamenta a falta de mulheres candidatas à Presidência ao longo da vida democrática de Portugal, mas dizer que Maria de Belém é “a primeira” é factualmente incorrecto. Maria de Lourdes Pintasilgo foi de facto a primeira e merece o seu lugar na história. Entretanto, Adriano Moreira tem realmente razões para celebrar a emergência de candidaturas de mulheres para o cargo de chefe de Estado: além de Maria de Belém, a professora universitária açoriana Graça Castanho e a historiadora Manuela Gonzaga, apoiada pelo PAN, já anunciaram a intenção de se candidatarem em 2016. 
Texto editado por Leonete Botelho

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