Manuela Gonzaga quer concorrer a Belém e é apoiada pelo PAN

Formada em História, a investigadora e escritora defende que “só os visionários conseguem mudar o mundo”.

Manuela Gonzaga
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Manuela Gonzaga Rui Gaudêncio/Arquivo

Durante a entrevista, aconteceu o inesperado: a gata comeu o pássaro que Manuela Gonzaga tinha levado para casa. A escritora, que quer entrar na corrida a Belém, que defende os direitos dos animais e da natureza e é apoiada pelo Pessoas-Animais-Natureza (PAN), ficou perturbada, zangada com a gata, mas continuou a conversa com o PÚBLICO.

Tem 64 anos, foi jornalista, é mestre em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde investiga no Centro de História d’Aquém e d’Além Mar, e tem romances, biografias, livros juvenis e de contos publicados. Quer candidatar-se à Presidência da República para ser provedora dos cidadãos, para pôr o dedo na ferida. Promete um “magistério de influência”.

Foi há cerca de quatro meses que começou a equacionar a hipótese de concorrer. Acreditou que fazia sentido erguer uma “voz não-alinhada” precisamente para dar voz aos que “já não a têm ou nunca a tiveram”.

Conta o apoio do PAN, no qual milita há cerca de quatro anos, e apresenta-se com um manifesto chamado Liberdade Incondicional. Chegou a ponderar ter como lema da candidatura a expressão Por um Portugal mais justo, mas soube-lhe a “slogan fora de prazo”. Depois, pensou em Portugal de Todos. Mas pareceu-lhe que não correspondia à verdade, porque o Portugal prometido por Abril “é só de algumas e alguns”.

Nesse manifesto, Manuela Gonzaga descreve o que a aflige no Portugal de hoje. Entre outras questões, fala num país que “exporta portuguesas e portugueses a um ritmo alucinante”, pessoas na “flor da vida” que “não pensam voltar”. E critica os deputados do Parlamento, onde “nas últimas décadas, muito poucos têm conseguido o inimaginável – tirar Portugal aos portugueses”.

Sem a pretensão de querer “mudar o mundo”, assume “a ousadia” de pensar que pode contribuir para a mudança. Quer ser a voz dos idosos, dos precários, dos desempregados, das pessoas pobres. Quer denunciar as desigualdades, os crimes contra as mulheres. Defende a “reinvenção” da política, a “renovação dos seus agentes”. E entende que a economia deve perder o seu “peso ditatorial e escravizante”.

Quer “promover junto das instâncias do poder legislativo e executivo a reconversão da Justiça, que não é tão independente como seria desejável num estado de direito”. E quer transformar o Palácio de Belém “numa sede de almas livres”, contar com o contributo dos artistas, dos poetas “da palavra e da acção”, dos “poetas das ciências, das artes, dos ofícios.” Porquê? “Só os visionários conseguem mudar o mundo.”

Apesar de viver em Lisboa, Manuela Gonzaga nasceu no Porto, cidade que deixou aos 12 anos para ir com os pais para África (Moçambique e Angola). Regressou a Portugal em 1974: “Foi a mais longa de todas as aprendizagens, a de viver em exílio na própria pátria.”

Foi jornalista, entre outras publicações, no Jornal de Notícias de Lourenço Marques, na revista Notícia de Angola, na Marie Claire, na revista Pais, no Semanário. Do currículo constam ainda passagens pelo Correio da Manhã e pela RTP, entre muitos outras.