Estados Unidos matam líder do misterioso grupo extremista Khorasan

Muhsin al-Fadhli comandava o grupo de elite da Al-Qaeda na Síria. Figura próxima de Bin Laden, Fadhli foi dos poucos a saber dos ataques às Torres Gémeas antes do 11 de Setembro.

Al-Fadhli, tal como o grupo Khorasan, operava na Síria discretamente
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Al-Fadhli, tal como o grupo Khorasan, operava na Síria discretamente Reuters

Os Estados Unidos mataram uma das figuras mais importantes da Al-Qaeda na Síria. O Pentágono anunciou agora que Muhsin al-Fadhli, comandante do grupo Khorasan, foi atingido mortalmente por um drone no início deste mês, enquanto viajava de carro nos arredores de Sarmada, a cerca de 40 quilómetros de Aleppo.

Fadhli fez parte das operações da Al-Qaeda contra o exército norte-americano no Iraque, comandou as operações da organização no Irão e, na altura da sua morte, liderava o grupo extremista que se acredita ser uma das ameaças mais credíveis ao Ocidente. Pertencia a um grupo tão restrito de combatentes da Al-Qaeda que foi um dos poucos a saber dos ataques às Torres Gémeas antes do dia 11 de Setembro de 2001.

O pouco do que se sabe sobre o grupo Khorasan começou a ser revelado em 2014. O nome tornou-se conhecido quando o Presidente dos Estados Unidos anunciou em Setembro que ordenara um ataque aéreo contra estes extremistas para travar um plano terrorista contra o Ocidente. O então procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, disse que o grupo só surgira nos radares norte-americanos dois anos antes.

Ao que indicam os serviços secretos norte-americanos, o Khorasan é essencialmente uma equipa de jihadistas de elite que foram enviados para a Síria pela Al-Qaeda, não para combater o regime de Bashar al-Assad, como acontece como o outro braço da organização no país, a Frente al-Nusra, mas para recrutar combatentes estrangeiros e planear ataques nos Estados Unidos e Europa. Os seus números variam, segundo escreve o New York Times, mas acredita-se que o Khorasan tenha cerca de 25 elementos. Em Setembro, a BBC apontava para 50.

O grupo foi criado por Ayman al-Zawahri, o líder máximo da Al-Qaeda e sucessor de Osama Bin Laden. Ao contrário do que acontece com várias organizações extremistas na Síria, dispostas a publicitar a sua presença e conquistas nas redes sociais, o grupo Khorasan e os seus membros agem discretamente.

Passava-se o mesmo com Muhsin al-Fadhli. Os serviços secretos norte-americanos acreditam que Fadhli chegou à Síria em 2013 e que começou a operar nos arredores da Aleppo, imiscuído na Frente al-Nusra. Antes disso, sabe-se que deu apoio à Al-Qaeda no combate ao exército americano no Iraque, sob ordens de Abu al-Zarqawi. Em 2012, os EUA  anunciaram uma recompensa de sete milhões de dólares para a captura ou morte de Fadhli, que então era visto como o líder da Al-Qaeda no Irão.  

“É um grande golpe na equipa terrorista de topo da Al-Qaeda”, diz ao New York Times Bruce O. Riedel, no passado analista da CIA e agora investigador no Instituto Brookings. “Zawahri criou o grupo Khorasan para juntar os seus melhores operativos em toda a Al-Qaeda na Síria e atingir o Ocidente.”

Esta não é a primeira vez que Fadhli é dado como morto. Em 2014, relatos não oficiais anunciaram erradamente que o cidadão do Kuwait de 34 anos fora atingido por um ataque aéreo norte-americano. Alguns combatentes da Al-Qaeda chegaram até a lamentar a sua morte nas redes sociais, como se lê no blogue norte-americano Long War Journal.

Responsáveis norte-americanos ouvidos pela Associated Press dizem que, mesmo sem o seu líder, o grupo Khorasan continua a ser uma ameaça. Os serviços secretos dos EUA acreditam que estes veteranos da Al-Qaeda estão a trabalhar directamente com o braço do grupo no Iémen de maneira a construírem bombas de plástico indetectáveis nos aeroportos.

Com base nesta informação, a administração dos transportes norte-americana proibiu, em Julho de 2014, a entrada de dispositivos electrónicos descarregados em aviões com destino para os EUA.