David Fonseca a reinventar-se com o Instagram

De forma inesperada, e pouco espaçada no tempo, David Fonseca não anuncia um álbum, mas outro single em português, com o vídeo “Chama-me Que Eu Vou”. Imaginemos agora a ideia a começar: porque não fazer um videoclipe adotando a estética do Instagram? Um iniciado neste género criativo do audiovisual possivelmente tomaria o enquadramento como o elemento identitário e apenas limitar-se-ia a encenar “quadros vivos”, com ou sem um estilo particular, dentro do plano fixo quadrangular. O David não. Filma todos os planos com ligeiros zoom (in e out) ou movimentos de câmara. Pode parecer um pormenor insignificante, mas diz muito do entendimento e da sensibilidade que um realizador tem da dinâmica das imagens no contexto da “videomusicalidade”. Poderíamos agora tecer interpretações e considerações sobre os “quadros” lúdicos e metafóricos, e do seu rasgo ou não para transcender a profusa paisagem visual atual, ou então, sobre a música e do que ela diz — tal como aqui o fizemos há quatro semanas — mas preferimos imaginar a reinvenção do David Fonseca: e se ele resolvesse, agora que tenta o português na sua música, arriscar uma carreira internacional na realização de videoclipes de outros? Poucos são os portugueses com currículo para tal chamamento.

 

Artigo escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

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