António Costa acusa Passos de criar a ilusão de que o país está melhor

Compromissos para abolir ou reduzir portagens nas SCUT só depois das eleições. O líder do PS quer avaliar primeiro o negócio feito com as concessionárias.

António Costa está “totalmente solidário” com o irmão, o jornalista Ricardo Costa, director do <i>Expresso</i>
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António Costa lamentou falhanço no acordo entre accionistas do BPI Nuno Ferreira Santos

O primeiro-ministro faz afirmações com “total indiferença e desfaçatez sobre a vida das pessoas que sofrem, e sobre as quais fala”. A acusação vem do secretário-geral do PS, criticando os números e a versão positiva, apresentada por Pedro Passos Coelho, na Assembleia da República, sobre a emigração e os cortes nos salários, pensões e acesso ao rendimento social de inserção.

António Costa acha que o primeiro-ministro, na passada sexta-feira, “deu mais um passo” no sentido de faltar à verdade e distanciar-se da realidade do país. “O rendimento social de inserção [RSI] foi cortado em 44% às crianças”, sublinhou. Uma pessoa recebia no máximo 189,5 euros de RSI. Qualquer outro adulto da família recebia até 70% disso e cada criança até 50%. Em 2012, o Governo reduziu o valor máximo para 178,15 euros. Qualquer outro adulto da família passou a receber até 50% disso e cada criança até 30%.

Já no que diz respeito ao RSI no seu todo, questionou: "Sabe quantas pessoas perderam o rendimento? 170 mil”. A dimensão e alcance deste número, frisou, “significa simplesmente que aquilo que o senhor primeiro-ministro diz não é verdade”. António Costa recordou que o chefe do Governo afirmara  que "as pessoas com rendimentos mais baixos não foram objecto de cortes". Por outro lado, recordou a forma como "a classe média foi asfixiada por este Governo no corte de salários e pensões, no aumento dos impostos, das taxas moderadoras, das portagens".

António Costa sublinhou que o primeiro-ministro disse que "as pessoas com rendimentos mais baixos não foram objecto de cortes" e recordou a forma como "a classe média foi asfixiada por este Governo no corte de salários e pensões, no aumento dos impostos, das taxas moderadoras, das portagens".


O líder socialista encerrou este sábado a Convenção Regional do PS, realizada em Portimão, e vai permanecer no Algarve durante os próximos três dias. O encontro, destinado a mobilizar os militantes para a campanha eleitoral, tinha, também, inscrito na agenda, a apresentação dos “compromissos” da proposta governamental, a realizar na região.  Porém, a questão mais polémica – abolição ou redução das portagens na Via do Infante – ficou em aberto. António Costa disse que só tomaria uma posição depois “de fazer a avaliação dos custos jurídicos e de uma negociação” com as concessionárias,  em relação a esta e às outras SCUT do país. “Não quero ter aqui alguém a dizer, daqui a quatro anos, o António Costa  não cumpriu”, justificou.  E lembrou que PSD prometeu há quatro anos,  em campanha, dez medidas para o Algarve, e “nem uma foi cumprida”.

Em relação ao número da emigração, apresentado por Pedro Passos Coelho, como sendo inferior à Irlanda e à Espanha, negou tal afirmação: “A emigração na Irlanda aumentou 7%, na Espanha 32% e em Portugal 126%”, disse. “Mas que contas são essas senhor-primeiro-ministro?”, perguntou, voltando a colocar o enfoque nas questões europeias. “Os nossos adversários querem-nos convencer de que não há alternativa no quadro desta Europa”. O futuro, apontou, não está “nem na saída do euro, nem prossecução da austeridade”. A solução, disse, “está na coesão e na convergência das economias europeias”.