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Pela Casa Da Música

O primeiro ensaio do “Romani” foi marcado para 30 de Novembro de 2014. A estreia foi empurrada para 29 de Abril de 2015.

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Eram 109 pessoas de etnia cigana – crianças desinquietas, adolescentes embaraçados, adultos desconfiados. As técnicas – da Câmara Municipal de Matosinhos e da Associação para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos, que com elas trabalham nos bairros do Seixo e da Biquinha – iam puxando, ora umas, ora outras, para o centro de uma sala de ensaios da Casa da Música.

Num lado, alunos do 3º ano do curso de dança do Balleteatro; no outro, famílias. Com o tempo, os nomes começaram a encaixar nos rostos. Primeiro estes: do coro da Igreja Filadelfia Evangélica do Seixo, em Matosinhos, tinham vindo a Taí Maia, a Mónica Farinha, a Vanessa Ribeiro.

O espectáculo ia-se delineando, com vagar, pela mão de Isabel Barros (direcção artística) e Jorge Queijo (direcção musical). Alguns rostos iam-se perdendo, de Domingo para Domingo. Outros iam-se tornando familiares. Percebia-se, por exemplo, que a Taí é mulher do Graciano Cardoso, que também canta no coro, e mãe do João Cardoso, que tem 8 anos e toca bateria desde os quatro.

“Romani” emergia como uma celebração da identidade de um povo, da sua música, da sua dança, da sua religiosidade, mas também como um encontro com o “outro”, que no palco seriam as 11 técnicas, os 23 alunos da Escola Profissional Balleteatro e quatro músicos profissionais. No fim, a  festa encheu a Sala Suggia.

Nunca uma comunidade cigana tinha pisado aquele palco. De repente, ciganos a descobrir o edifício inteiro, a andar por lugares que nunca antes tinham andado. E não ciganos a descobrir dinâmicas para lá de todas as ideias feitas. 

Ana Cristina Pereira

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