BCE compra quase 10 mil milhões de euros de dívida numa semana

Arranque do programa de compra de activos para salvar a zona euro da deflação está a correr dentro do previsto pelo banco central. Taxas de juro continuam a descer.

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Plano da entidade liderada por Mario Draghi destina-se a evitar inflação negativa na zona euro Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Desde o dia 9 de Março o BCE e os bancos centrais nacionais da zona euro, incluindo o Banco de Portugal, começaram a adquirir dívida emitida pelos diversos Estados do euro. Estas compras juntam-se às que já estavam a ser realizadas de títulos de dívida do sector privado, nomeadamente obrigações hipotecárias e créditos bancários titularizados, que neste momento já atingem valores próximos de 57 mil milhões de euros e 3,8 mil milhões de euros respectivamente.

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Desde o dia 9 de Março o BCE e os bancos centrais nacionais da zona euro, incluindo o Banco de Portugal, começaram a adquirir dívida emitida pelos diversos Estados do euro. Estas compras juntam-se às que já estavam a ser realizadas de títulos de dívida do sector privado, nomeadamente obrigações hipotecárias e créditos bancários titularizados, que neste momento já atingem valores próximos de 57 mil milhões de euros e 3,8 mil milhões de euros respectivamente.

Ao fim de uma semana de compras, a forma como os bancos centrais estão a conseguir actuar nos mercados, está a conseguir, para já, dissipar as dúvidas existentes entre muitos analistas sobre a capacidade do BCE para comprar quantidades tão significativas de activos. No total, até Setembro de 2016, o objectivo é o de aquisições que ascendam aos 1,1 biliões de euros. Persistem naturalmente interrogações sobre a capacidade de se manter o ritmo da primeira semana, principalmente num cenário em que as taxas de juro praticadas são cada vez mais baixas, atingindo mesmo valores negativos

O objectivo do BCE com este plano é o de injectar liquidez no sistema financeiro europeu (que detém os títulos de dívida), esperando que este faça depois chegar crédito mais fácil e barato à economia, seja emprestando dinheiro às empresas e famílias, seja adquirindo outros activos.

Para já, o resultado tem sido a continuação da redução muito significativa das taxas de juro praticadas no mercado da dívida pública da zona euro, com excepção da Grécia, o único país que não está a ser alvo de compra de dívida por parte do Eurosistema.

As taxas de juro a 10 anos da dívida pública portuguesa passaram de 1,771% no início da semana passada para 1,571% esta segunda-feira, de acordo com os dados publicados pela Reuters. No caso de Espanha, a descida foi de 1,288% para 1,161%, enquanto em Itália passou-se de 1,308% para 1,163%.

A dívida a 10 anos alemã está agora com uma taxa de juro no mercado de 0,278%, uma redução face aos 0,309% de há uma semana. No entanto, o presidente do banco central alemão já assumiu que estão a ser feitas compras de dívida, em prazos mais reduzidos, a taxas de juro negativas, o que significa que o banco central (que se compromete a deter os títulos que compra até à maturidade), está logo à partida a assumir perdas em termos nominais.

O BCE já esclareceu que pode comprar dívida a taxas negativas, desde que estas sejam superiores à taxa de juro dos depósitos do banco central, que está colocada actualmente em -0,2%. Muitos analistas prevêem que os títulos de dívida pública alemã a 10 anos caminhem também (tal como já acontece com os de cinco anos) para valores negativos durante as próximas semanas.