Cavaco pergunta: “O que é que andaram a fazer os accionistas e gestores” da PT?

Presidente da República diz esperar que "se evite o desmembramento da empresa".

Cavaco Silva está esta segunda-feira numa visita ao Alentejo
Foto
Cavaco Silva está esta segunda-feira numa visita ao Alentejo Daniel Rocha

Escusando-se a comentar a oferta pública de compra de parte do capital da PT pela empresária Isabel dos Santos, o Presidente da República defendeu esta segunda-feira que os portugueses, e ele próprio, “têm o direito de colocar” pelo menos uma pergunta: “O que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores desta empresa?”

Questionado pelos jornalistas sobre o tema, no final de uma visita a Estremoz, Aníbal Cavaco Silva começou por dizer que um Presidente “nunca deve comentar intenções de negócios privados que foram anunciados há poucas horas”. Mas depois fez uma série de considerações importantes sobre o assunto.

“O que eu espero - e penso que é o que de melhor podia acontecer para Portugal neste momento - é que se evite o desmembramento da empresa”, afirmou o chefe de Estado.

“Em relação a este caso, e embora estejamos na União Europeia, onde funciona o modelo de economia de mercado, eu penso que é legítimo, apesar de se tratar de uma empresa privada e brasileira, fazer pelo menos uma pergunta: o que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores desta empresa? É pelo menos esta pergunta que os portugueses têm o direito de colocar”, afirmou Cavaco Silva.

O último presidente da operadora nacional que esteve na linha da frente do negócio com a operadora brasileira Oi e que foi depois director presidente da empresa da Oi mas saiu há mês, Zeinal Bava, foi um dos condecorados pelo Presidente da República a 10 de Junho deste ano, nas cerimónias que decorreram na Guarda. O antigo presidente da PT, Miguel Horta e Costa, também foi agraciado na mesma ocasião.

O Presidente da República contou que ainda antes de assumir este cargo, escreveu que a “transferência para o estrangeiro de grandes empresas nacionais tem normalmente um custo para o país”, e avisou que essa saída acabaria por acontecer. Realçando que “nem todos os economistas pensam dessa forma”, Cavaco Silva argumentou que essa mudança de propriedade para o estrangeiro “resulta dos desequilíbrios das nossas contas externas e do nosso endividamento externo”.

Em jeito de crítica, vincou que “no passado nós acumulámos grandes desequilíbrios externos”, que chegaram a atingir “dez por cento da produção nacional”. “Quando um país compra ao estrangeiro muito mais do que aquilo que lhe vende, a diferença tem que ser financiada ou por empréstimos ou por entrega de activos que nós possuímos.”

Acerca dos resultados da auditoria forense ao BES que aponta para a existência de actos ruinosos, quando questionado sobre se está confiante que haverá apuramento de responsabilidades nessa matéria, o Presidente da República preferiu uma posição mais resguardada do que noutras ocasiões quando questionado sobre o caso BES e limitou-se a dizer que "todos estamos confiantes que isso aconteça", acrescentando não ter informação a acrescentar ao que tem sido dito ou publicado.