Gonçalo Amorim é o novo director do FITEI

Actual director artístico do Teatro Experimental do Porto, o encenador está já a preparar a próxima edição do festival, que apostará nas companhias portuguesas.

Foto

Actual director artístico do Teatro Experimental do Porto (TEP), funções que agora acumulará com a direcção do FITEI, Gonçalo Amorim terá já a responsabilidade de programar a próxima edição do festival, que deverá decorrer entre 9 e 21 de Junho e que, segundo adiantou ao PÚBLICO, irá “acolher muitos espectáculos portugueses”.

Uma aposta motivada pelo desejo de mostrar o que as companhias nacionais estão a fazer, mas que é também ditada por constrangimentos orçamentais. “Será um ano de contenção”, reconhece o encenador. A boa notícia é que além de voltar a contar com o apoio do Teatro Nacional S. João, como já sucedeu na edição de 2014, o FITEI irá também mostrar-se no Teatro Municipal Rivoli e no seu pólo do Campo Alegre. E segundo Gonçalo Amorim, está já igualmente garantido um apoio da empresa municipal Porto Lazer, destinado a espectáculos de rua.

Esta será também a última edição em que ainda será possível trazer alguns espectáculos graças à rede ESMARK, um programa europeu de apoio às práticas culturais transfronteiriças cuja vigência termina em 2014.

Uma vez que o TEP partilhará o seu director artístico com o FITEI, será inevitável que a histórica companhia do Porto esteja de algum modo presente no futuro próximo do festival. “Tenho um percurso artístico que está marcado pelo que tenho feito no TEP”, reconhece Gonçalo Amorim, que acredita que o festival terá a ganhar com “essa referência artística”.

O seu trabalho no TEP, primeiro como encenador residente e depois como director artístico, veio reconhecidamente dar um novo alento a uma companhia de grande importância histórica, mas que há muito perdera a relevância e a influência que outrora tivera. Pede-se-lhe agora que faça o mesmo com um festival que, também ele, já conheceu melhores dias. O FITEI foi fundado em 1978, há quase 40 anos, por elementos da Seiva Trupe e do próprio TEP, como Júlio Cardoso, António Reis, José Cayolla e a actriz Estrela Novais.

Nascido em 1976 no Porto, Gonçalo Amorim colaborou, enquanto actor (e em alguns casos também como encenador), com os colectivos O Bando, Primeiros Sintomas, Útero – Associação Cultural, Companhia Olga Roriz, Cão Solteiro, Truta, Teatro da Terra, Teatro da Cornucópia e Artistas Unidos. No cinema, trabalhou com Edgar Feldman, Raquel Freire, Tiago Guedes, José Filipe Costa, Edgar Medina ou Margarida Gil.

Em 2007, recebeu o Prémio da Crítica, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, pela sua encenação, para o grupo Primeiros Sintomas, de Foder e Ir às Compras, de Mark Ravenhill.

As suas encenações para o TEP iniciaram-se em 2010 com A Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, autor ao qual regressou logo no ano seguinte com a encenação de Do Alto da Ponte. Seguiram-se Já passaram quantos anos, perguntou ele, de Rui Pina Coelho (2011), O Dia do Santo, de John Whiting (2012), Chove em Barcelona, de Pau Miró (2012), Dois Pontos Os Maias, a partir do romance de Eça de Queirós (2013), Os Negócios do Senhor Júlio César, de Bertolt Brecht (2013), Ping Pong Pau, de Ricardo Alves (2014) e Nós Somos os Rolling Stones, de Rui Pina Coelho (2014).