HealthyDrive: este retrovisor acorda quem tem sono ao volante

O HealthyDrive foi criado por um grupo de jovens empreendedores do Porto. É um espelho que detecta sonolência, stress e outros factores que colocam a condução em risco

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O HealthyDrive analisa o rosto do condutor e envia alertas sonoros quando detecta sinais de cansaço e sonolência Nelson Garrido

O espelho retrovisor HeathyDrive é um projecto português que detecta sono, fadiga, depressão e alterações de humor através da análise do rosto do condutor.

Se for detectado algum sinal de perigo, o dispositivo emite um alerta sonoro. A ideia da autoria de três jovens do Porto: Filipe Oliveira, de 31 anos, André Azevedo, de 28 anos e Filipe Monteiro, de 26 anos. Juntos, eles fundaram a HealthyRoad, uma empresa incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC). O “HealthyDrive” não deve ser comercializado até ao fim do ano e deverá custar cerca de 300 euros. 

O objectivo principal da empresa é contribuir para a redução da sinistralidade rodoviária, sobretudo em veículos de condução profissional. “A fadiga e a sonolência são responsáveis por uma taxa de 23% dos acidentes rodoviários. Esta tecnologia surgiu da necessidade de querer contribuir para a resolução deste problema, ao criar um produto que fosse acessível no mercado e que o utilizador pudesse adquirir e instalar sem o apoio de um técnico especializado”, conta ao P3 Filipe Oliveira. 
 
E como funciona o HealthyDrive? “Qualquer pessoa pode pegar no HealthyDrive e colocá-lo sobre o espelho já existente no automóvel. Deste modo conseguimos que a câmara que funciona como sensor biométrico fique logo direccionada para a face do condutor. A unidade de processamento tira uma série de métricas como fadiga, sonolência e stress. Em caso de perigo é dado o alerta, que é localizado através da unidade de GPS que está incorporada no espelho”, explicam os criadores. 
 
Os alertas são dados através de um aviso sonoro intermitente, que se vai diferenciando através de vários estágios até atingir um som contínuo, que indica que o condutor deve parar o veículo. Se este não o fizer, é enviado um alerta para a central. 
 
Uma ferramenta para gestores de frota 
O HealthyDrive também envia informação para uma plataforma online, através de uma ligação GPRS ou “wifi”, o que permite aos gestores de frota tomarem decisões imediatas. Isto porque é possível analisar os dados enviados e, assim, identificar problemas. Assim, é possível prevenir estados de depressão e sonolência em condutores profissionais, garantem os fundadores da HealthyRoad. “Isto é bastante interessante para os gestores de frota. Não é só um dispositivo de alerta, é também de análise estatística de determinados dados que podem ser uma mais-valia para as empresas que o utilizam”, refere Filipe Oliveira.
 
A ideia é que a informação recolhida a partir do rosto do condutor permita aos gestores das empresas transportadoras fazer uma análise do condutor — saber, por exemplo, se está cansado, a ficar sonolento ou se em casos extremos acabou por adormecer. “Com este dispositivo, conseguimos analisar se um determinado condutor dirige melhor durante a noite ou durante o dia e em que horário anda mais cansado e stressado, por exemplo. A empresa consegue ter uma melhor gestão dos seus motoristas usando este dispositivo”, declara Filipe Oliveira.
 
Algumas empresas da indústria automóvel, como a Ford e a Volkswagen já integram sistemas de alerta como o “Driver Alert” e “Lane Assist”, respectivamente. Mas que ao contrário do “HealthyDrive”, não se baseiam numa análise directa. Estes dispositivos fazem apenas alertas de saída de faixa, que estão integrados no computador de bordo e dão o alerta só em caso de uma alteração irregular na condução ou uma saída da faixa de rodagem. “A novidade é fazer com que isto chegue ao consumidor de uma forma prática, fácil de instalar e eficaz. Que possa dar mais do que um alerta”, conta Filipe Oliveira.
 
O espelho retrovisor está a ser patenteado e encontra-se numa fase de testes-piloto. A “HealthyRoad” concorreu a um programa chileno e foi a única empresa portuguesa a ser aceite. “O Chile, à semelhança de outros países da América Latina, quer reduzir o elevado número de acidentes nas estradas”, declara Filipe Oliveira. Em Portugal, os testes estão a ser feitos em colaboração com o Grupo Rangel, que também opera em Angola, e com o apoio da Prevenção Rodoviária Portuguesa.
 
Texto editado por Andréia Azevedo Soares 

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