Pelo menos 250 exemplares de Diário de Anne Frank destruídos no Japão

Arrancadas várias páginas a cópias do diário da jovem judia e de obras com a sua biografia.

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Páginas ou parte delas foram arrancadas a dezenas de exemplares JIJI PRESS/AFP

O Centro Simon Wiesenthal está “chocado e preocupado” com a notícia de que perto de 30 bibliotecas alertaram para a destruição dos livros, onde se incluem também obras com a biografia de Anne Frank. Para o organismo, que luta contra o anti-semitismo, trata-se de uma “campanha de ódio” e que deve ser investigada pelas autoridades.

A polícia japonesa já abriu um inquérito ao caso depois de ter recebido várias queixas. Segundo o director do conselho de bibliotecas públicas da capital japonesa, Satomi Murata, citado pela AFP, foram ali recebidas “queixas de pelo menos cinco distritos de Tóquio”, estando ainda por confirmar o número exacto de bibliotecas onde se verificou a destruição de obras.

O director dos arquivos da biblioteca municipal de Shinjuku indicou, por sua vez, que foram retiradas várias páginas a 39 exemplares em três bibliotecas do distrito e que foram deitadas fora. “A cada exemplar foram arrancadas cerca de dez a 20 páginas”, contou Kaori Shiba.

Yoshihide Suga, porta-voz do governo japonês, considera que se tratou de um acto de vandalismo “vergonhoso” e garantiu que o país “não tolerará actos semelhantes”.

O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947. O livro é o relato quase diário dos dois anos que a jovem de 15 anos viveu escondida num anexo em Amsterdão, Holanda. Anne e a família acabaram por ser descobertas e deportadas para campos de concentração. Anne Frank morreu no campo de Bergen-Belsen, em 1945.