Rui Rio satisfeito por deixar dívida de 99 milhões e uma câmara a pagar a seis dias

Autarca lembrou, em Lisboa, que a dívida era de 200 milhões quando chegou à Câmara do Porto.

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Rui rio fiz que o seu legado foi "valorizado" nas eleições autárquicas, ganhas, no Porto, pelo independente Rui Moreira

A Câmara do Porto demorava, a 30 de Setembro, seis dias a pagar aos fornecedores, tinha uma dívida de 99 milhões de euros e disponibilidades próximas dos 20 milhões de euros, anunciou esta quinta-feira Rui Rio.

Os dados das contas trimestrais, que devem ser apresentados publicamente entre hoje e sexta-feira, foram divulgados durante o XVI Congresso Internacional de Contabilidade e Auditoria, a decorrer em Lisboa.

Na sua intervenção, o ainda presidente da Câmara Municipal do Porto recordou que a dívida do município tinha sido de 200 milhões de euros, mas revelou ter atingido o seu objectivo de baixar dos três dígitos. Em tom bem-humorado, Rui Rio referiu que “tudo estava a correr muito bem” e que acaba o mandato com uma dívida de 99 milhões de euros e “disponibilidades próximas dos 20 milhões de euros”, o que o deixava “preocupado por ser dinheiro a mais”.

Perante a plateia, o autarca pormenorizou que entre seis a sete milhões de euros das disponibilidades são da “responsabilidade do Tribunal de Contas”, por fazer cumprir as leis que obrigam a processos burocráticos. Assim, acrescentou, o início de algumas obras foi atrasado, havendo menos execução, o que “se reflecte na tesouraria”.

No final de Setembro, o saldo aos fornecedores era de 1,4 milhões de euros concretizou Rui Rio, lembrando que no passado a factura a pagar tinha chegado aos 40 milhões de euros. Aos jornalistas, o autarca, que esteve 12 anos à frente da autarquia do Porto, garantiu que se “atingiu um patamar recorde, com um prazo médio de pagamento a fornecedores de seis dias, que chega, às vezes, a não ser aconselhável em termos de gestão, mas uma entidade pública tem a obrigação de pagar rápido e a horas”.

“Particularmente num país que está com a crise que está, os nossos fornecedores precisam do dinheiro para trabalhar. Se o sector público puder pagar muito rapidamente, estamos a cumprir a nossa função de ajudar a economia”, acrescentou.

Ainda durante o discurso, Rui Rio indicou que a gestão de rigor teve consequências no resultado das últimas eleições autárquicas, que na Câmara Municipal do Porto resultou na eleição do independente Rui Moreira. “O grosso do eleitorado valorizou e [o que foi feito em gestão] foi transposto para o plano político porque estiveram em confronto [na campanha eleitoral] discursos antagónicos”, afirmou.

Rui Rio repetiu hoje, por diversas vezes, que assumiu dois cargos durante os 12 anos: presidente da câmara e presidente do conselho de administração do “grupo Câmara Municipal do Porto”. “A câmara não tem mercado e os munícipes estão muito indefesos, por não poderem mandar a câmara à falência. Por isso, a gestão deve ser duplamente respeitosa”, defendeu Rio, sublinhando que se pautou sempre pela “defesa intransigente do interesse público”.

Outro “segredo” deixado no congresso foi o “motivar as pessoas e conseguir que sintam orgulho na instituição que servem” para alcançar o sucesso, assim como “perguntar a quem sabe”. Como exemplo, explicou que depois da eleição,  encomendou um estudo sobre a macroestrutura e, a partir dele, extinguiu sete instituições e criou duas na área do abastecimento de água e dos bairros municipais.

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