Passos Coelho aguarda investigação à Tecnoforma com “toda a tranquilidade”

Tal como o PSD, primeiro-ministro desvaloriza investigação da União Europeia à eventual fraude na atribuição de subsídios europeus à Tecnoforma.

Trabalhadores dizem que declaração de Passos Coelho não teve "ponderação suficiente"
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Passo Coelho diz estar tranquilo em relação à investigação da União Europeia Foto: Rafael Marchante/Reuters

O primeiro-ministro desvalorizou esta quinta-feira a investigação de que a Tecnoforma está a ser alvo por parte da União Europeia a fim de apurar se houve fraude na atribuição de subsídios a esta empresa de que Passos Coelho foi consultor e administrador.

Pedro Passos Coelho disse estar a aguardar “com toda a naturalidade e com toda a tranquilidade o resultado da investigação” às “práticas da empresa” que está em curso pelo Gabinete de Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF).

“Colaborei vários anos com a Tecnoforma e não tenho nada do que representou essa minha colaboração que seja objecto de preocupação da minha parte”, afirmou o primeiro-ministro quando questionado pelos jornalistas à margem da cerimónia de inauguração de um hotel em Lisboa. Passos Coelho contou ter tido “responsabilidades ao nível de administração no último ano e meio, ou último ano”.

“Já houve, da parte do Ministério Público português, nota de que não há nenhuma investigação que decorra relativamente à minha actuação em concreto ou à actuação de outras pessoas isoladamente”, fez ainda questão de realçar o chefe do Governo.

O PSD também optou pela mesma estratégia de desvalorização do assunto, tendo o líder parlamentar Luís Montenegro afirmado que os sociais-democratas estão “seguros do comportamento” de Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas relativamente à Tecnoforma.

“Não me preocupa nada [a investigação do gabinete europeu]. Essa notícia não é nova, porque, tanto quanto sei, os factos são os mesmos que já andaram na comunicação social há alguns meses”, desvalorizou Luís Montenegro. “Se há alguma coisa que seja preciso investigar, que se investigue. Nós estamos seguros do comportamento quer do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho quer do dr. Miguel Relvas. Portanto... aguardaremos”, comentou o líder da bancada laranja.

Por seu lado, questionado pelos jornalistas, o líder do PS recusou fazer qualquer comentário ao caso, alegando desconhecimento e justificando “respeitar as investigações que num Estado de Direito devem ser feitas”. “Quando há motivos para uma investigação, ela deve ser feita e deve haver conclusões”, limitou-se a acrescentar António José Seguro ao fim da manhã, à saída de uma reunião com a CIP - Confederação da Indústria Portuguesa.

A eurodeputada Ana Gomes anunciou na quarta-feira ter sido informada de que o OLAF abriu, nos últimos meses, uma “investigação formal” a partir de um dossier por ela enviado com um conjunto de notícias do PÚBLICO sobre o financiamento da empresa Tecnoforma entre 2002 e 2004.

Poderá estar em causa a má gestão ou fraude na aplicação de fundo europeus por parte desta empresa e da organização não-governamental Centro Português para a Cooperação fundada pelo actual primeiro-ministro. Nessa altura, Miguel Relvas era secretário de Estado da Administração Local do então Governo de Durão Barroso, e geria o programa Foral, que administrava fundos para a formação de técnicos na administração local.