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A importância do jornalismo na democracia

O jornalismo é tão mais verdadeiro quanto melhor instituída for a democracia numa sociedade

O jornalismo, enquanto sector de controlo e fiscalização do poder, é a actividade que, pela transmissão de informação, permite aos cidadãos conhecer e argumentar factos do espaço público e político. Assim, a questão que se coloca é a seguinte: jornalismo e democracia podem existir independentemente?

Como todos sabem, uma democracia requer a existência de uma sociedade onde se possa manifestar; também é do conhecimento geral que uma sociedade se constrói pelos cidadãos que dela fazem parte. Então, uma democracia influencia sempre os cidadãos que nela existem, uma vez que uma democracia ideal corresponde àquela em que os cidadãos, informados, têm um papel activo no que diz respeito a decisões políticas. Quanto ao jornalismo, ele exerce-se por e a favor dos cidadãos, para que estes possam ter uma opinião acerca dos contextos em que vivem e possam, assim, participar activamente. Logo, a meu ver, o jornalismo é tão mais verdadeiro quanto melhor instituída for a democracia numa sociedade.

Contudo, e tendo em conta o carácter liberal de uma democracia, o jornalismo — para além de encontrar aqui a sua melhor manifestação — corre um perigo constante como se da extinção animal se falasse. É necessário que o jornalismo siga os princípios éticos para se encarar como um bom jornalismo que vai ao encontro das perspectivas democráticas sem derrubar a própria democracia.

A famosa citação de George Orwell — "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade" — expressa bem aquilo que o jornalismo faz. É exactamente isso. De facto, é neste sector que encontramos a melhor forma de controlo do poder, pois a informação é constante e, se não fosse o jornalismo, muitas vezes não seria pública. Quando se fala em democracia pretende-se, então, falar de liberdade de expressão e de acesso à informação. É no jornalismo que vamos encontrar estas duas características bem actualizadas, pois é esta a actividade que permite aos cidadãos de uma sociedade ter um total conhecimento daquilo que se passa no mundo em que vivem.

Podemos dizer que o jornalismo existe em democracia, mas parece-me mais importante dizer que o jornalismo cria a democracia. Não só, naturalmente, mas permite que essa democracia seja uma realidade também ela controlada. Embora haja o perigo de a actividade jornalística poder ser invadida (por questões que advêm da liberdade de expressão, por exemplo) este sector mantém controladas as instituições democráticas atribuindo à população em geral o conhecimento e as informações que permitem julgar e criticar. No fundo, formar uma opinião fundamentada de questões que seriam ocultas e, por isso, contra a democracia que, supostamente, existiria. Se há que falar em pilares da democracia, não se pode esquecer que o jornalismo faz parte de um deles.

Funciona, assim, como uma dupla existência: o jornalismo desenvolve-se nas liberdades democráticas, mas a democracia plena existe, também, por meio do jornalismo.