António Capucho não descarta saída de Passos Coelho do Governo

Vítor Gaspar e Miguel Relvas são outros ministros que devem ser substituídos, diz o social-democrata. Também Ângelo Correia considera que chegou a altura de remodelar o executivo.

Ex-conselheiro de Estado considera decisiva capacidade de Passos face ao debate da reforma do Estado
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Ex-conselheiro de Estado considera decisiva capacidade de Passos face ao debate da reforma do Estado Rui Gaudêncio

António Capucho defendeu esta terça-feira, citado pela Rádio Renascença, que o Governo precisa de profundas alterações na sua composição e que uma eventual remodelação do executivo não pode deixar de apontar para a substituição dos ministros das Finanças e dos Assuntos Parlamentares.

“No mínimo, é indispensável que altere a sua composição, que afaste os ministros que manifestamente têm conduzido a política macroeconómica – estou a falar do ministro das Finanças, para ser directo –, quem tem proporcionado uma falta de credibilidade total a este Governo, por outras razões, como o ministro Miguel Relvas, mas que, de facto, se veja se é possível, com a liderança do doutor Pedro Passos Coelho, proporcionar uma nova estratégia política que não conduza a este desastre”, afirma Capucho.

Mas até a saída do primeiro-ministro não é descartada pelo histórico do PSD: “Se necessário, se se verificar que este não é capaz, por exemplo, de proporcionar um debate nacional sério sobre a reforma do Estado, se não é capaz de trazer à discussão o próprio Partido Socialista, há que mudar de primeiro-ministro. É uma solução que não deve estar afastada das hipóteses de decisão do Presidente da República”.

Já em declarações hoje à TSF, o social-democrata Ângelo Correia, considerado próximo do primeiro-ministro, aconselha Passos a antecipar-se politicamente, o que significa remodelar: “O primeiro-ministro faria bem, nesta altura, livre de pressões, apenas olhando para o seu próprio interior e partido, para a opinião do partido que está coligado com ele e para o sentimento da opinião pública. Ele deve pensar bastante e antecipar-se a outras questões, órgãos e outras solicitações, outras requisições que lhe possam ser feitas”.

Considerando que o executivo está perante “um dilema”, o histórico do CDS Freitas do Amaral defendeu esta segunda-feira que ou o Governo muda de política ou “o país muda de Governo”, alinhando-se com as declarações já proferidas pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim. Freitas afirmou ainda estar convicto de que a melhor solução para Portugal, neste momento, seria um outro Governo “da actual maioria”, que dispensasse a realização de eleições.

Mas o fundador do CDS deixou também duras críticas ao desempenho de Vítor Gaspar: “O ministro das Finanças, se não sair ao mesmo tempo que o primeiro-ministro, vai sair antes dele. Falhou tudo, falhou tudo. Foi apresentado como o tecnocrata que não falhava as suas previsões, com grande competência técnica. Falhou a sua missão.”

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