Relvas desautoriza presidente da RTP sobre data da decisão da privatização

Alberto da Ponte disse à redacção da RTP que o dossier vai a Conselho de Ministros no dia 10. Relvas diz que não é a RTP que faz a agenda do Governo.

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Presidente da RTP estará nesta sexta-feira nas instalações da RTP/Porto

O presidente da RTP disse nesta quinta-feira à redacção da televisão e rádio públicas que o dossier da privatização ou concessão irá a Conselho de Ministros na próxima semana.

Alberto da Ponte esteve na redacção acompanhado pelo director-geral de conteúdos, Luís Marinho, e pelo novo director de Informação, Paulo Ferreira, para uma conversa com os jornalistas ao início da tarde, onde deixou um discurso animador e partilhou algumas novidades, apurou o PÚBLICO.

Sobre a privatização, Alberto da Ponte disse aos jornalistas da empresa que considera que esta só deve ser feita se houver vantagens nessa privatização e realçou não ter qualquer influência ou interferência nesse processo que é, vincou, uma decisão política.

Questionado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro Miguel Relvas, que tutela a TV e rádio públicas, limitou-se a responder que "quem decide a agenda do Conselho de Ministros não é o presidente da RTP". E acrescentou que, tal como o ministro afirmou recentemente, o dossier RTP "será debatido numa das próximas reuniões do Conselho de Ministros", sem, no entanto, se comprometer com prazos.<_o3a_p>

Em Dezembro, Miguel Relvas e até mesmo o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho garatiram em diversas ocasiões que o assunto seria debatido em Conselho de Ministros até ao fim de 2012. Porém, a falta de acordo com o parceiro de coligação CDS-PP levou a que o assunto tenha sido continuamente adiado.<_o3a_p>

A assessoria de comunicação da administração da RTP, assegurada pela empresa de António Cunha Vaz, enviou, entretanto, uma nota contraditória ao PÚBLICO. No mesmo texto diz que "a afirmação que [o PÚBLICO atribui" ao presidente da RTP não corresponde à proferida por Alberto da Ponte à redacção da RTP, e afirma também logo a seguir que "o presidente da RTP informou que 'esperava que fosse decidido o mais rápido possível e que o primeiro Conselho de Ministros era já dia 10 de Janeiro. Nesse ou num dos próximos será.'"
 

RTP2 muda para o Porto, mas a produção interna é minimal

Nesta sexta-feira, Alberto da Ponte estará nas instalações do Porto onde também explicará a estratégia de mudar para ali toda a produção da RTP2 e da RTP Internacional ainda este mês.

A decisão vem assim acalmar a polémica levantada a Norte com o anúncio da transferência para Lisboa da produção do programa matinal Praça da Alegria e deixa antever que poderá haver uma separação formal dos activos de produção da empresa.

Fonte da administração citada pela Lusa justifica com a “melhor utilização dos meios humanos e físicos que existem no Porto”. A decisão não implicará encargos extra uma vez que será possível fazer na empresa serviços que em Lisboa eram contratados fora.

Porém, a RTP decidiu, há alguns meses, acabar com o magazine cultural "Câmara Clara", transmitido diariamente pela RTP2, e a nova direcção de Informação também já anunciou o fim do noticiário "Hoje", emitido às 22 horas. O programa de actualidades "Sociedade Civil", apresentado por Fernanda Freitas, que era transmitido a meio da tarde aos dias úteis foi de férias a 14 de Dezembro e não voltou.

Olhando para a grelha do canal percebe-se que restam muito poucos programas que necessitam de ser produzidos pela RTP. Haverá desporto nas tardes de fim-de-semana e os programas dos parceiros institucionais, mas até parte destes é feita pelos próprios. Os programas das confissões religiosas têm a ajuda da produção da RTP.

Presidente quer regresso do futebol
O presidente defendeu que a Informação deve ser o pilar insubstituível da RTP, mas fez questão de sublinhar a fronteira entre a gestão editorial e a gestão da empresa. Terá mesmo mostrado desconhecer que a direcção de Informação decidira acabar com o noticiário Hoje, da RTP2.

Questionado pelos jornalistas, o presidente disse ainda que a RTP só está disponível para esperar mais dois meses por um novo painel de medição de audiências, que está a ser refeito pela empresa GfK, a qual, garantiu Alberto da Ponte, ainda não recebeu um cêntimo da TV pública.

Adepto confesso de futebol, também afirmou que gostaria de ver a I Liga regressar à RTP por considerar que o futebol também é serviço público, mas admitiu não ter dinheiro para isso. Aliás, no capítulo financeiro, disse ainda que a actual dívida da RTP se situa nos 120 milhões de euros, mas não coloca constrangimentos para a gestão quotidiana. 

Notícia actualizada às 9h40. Inclui reacção da assessoria de comunicação da administração da RTP
 
 
 
 

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