Todos participarão no esforço e “todos beneficiarão das novas oportunidades”

Mensagem de Natal do primeiro-ministro marcada por um discurso que aponta para uma generalização do esforço. Passos Coelho garante que programa de reformas está bem encaminhado.

Foto
Passos Coelho sintetizou o balanço deste ano admitindo que "foi dos anos mais difíceis" de que tem memória desde 1974 Manuel Roberto

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu nesta terça-feira que “todos foram e continuarão a ser chamados a participar” no “esforço nacional” para a saída da crise.

Ao apresentar a sua mensagem de Natal, Passos Coelho acrescentou uma segunda garantia igualitária, a de que “todos beneficiarão das novas oportunidades” que serão criadas “nos próximos anos”.

E justificou a decisão de tratar todos por igual, afirmando que “foi um imperativo de justiça que aqueles que vivem com mais recursos económicos tenham sido chamados a dar um contributo maior para que - por exemplo - nove em cada dez reformados não tenham sido atingidos por cortes ou reduções nas suas pensões.”

Salientando a tentativa de não penalizar quem menos tem com os cortes da segurança social, o primeiro-ministro frisou que o Governo conseguiu “mesmo actualizar as pensões mínimas acima da inflação”.

Passos Coelho comprometeu-se também com a garantia de que “ninguém sairá desta crise sem a capacidade plena de aproveitar essas oportunidades”. E insistiu na promessa: “Ninguém que esteve presente nos piores momentos da crise, com a sua coragem e o seu esforço, será deixado para trás nos anos de oportunidade que temos pela frente.”

Por outro lado, o primeiro-ministro garantiu que “a esmagadora maioria das medidas que faziam parte” do programa de reformas da sociedade portuguesa, incluído no Memorando de Entendimento assinado com a troika (Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional), “está já concluída ou em fase de conclusão”. E afirmou que o Governo criou “uma relação de grande confiança com as instituições internacionais responsáveis por esse programa”.

Sobre as reformas já efectuadas, o primeiro-ministro afirmou: “Transformámos alguns aspectos da nossa economia que sempre tinham sido obstáculos ao investimento e à criação de riqueza e que em muitos casos se mantinha fechada à participação de todos”. Acrescentando de seguida: “Iniciámos um processo de reforma das estruturas e funções do Estado, um processo tantas vezes adiado, aqui como noutros países, mas que é agora inadiável, para nós como para os nossos parceiros europeus.”

Na última sexta-feira, durante o derradeiro debate quinzenal de 2012 no Parlamento, Passos Coelho sintetizou o balanço deste ano admitindo que "foi dos anos mais difíceis" de que tem memória desde 1974.

“Este foi o ano das maiores dificuldades, e também de muito sofrimento para muitos portugueses, que sentiram na sua própria pele, na sua própria vida, não apenas a promessa de que tínhamos de pagar muitos desvarios de política económica, mas que tinha chegado a hora mesmo de os pagar e que, portanto, a vida se tornou muito difícil para a generalidade dos portugueses”, reconheceu o primeiro-ministro.

Na mensagem de Natal de 2011, Passos Coelho tinha prometido um ano de "grandes mudanças e transformações, que incidirão com profundidade nas nossas estruturas económicas". Na altura, Passos Coelho estava no cargo há seis meses e disse que "a orientação geral de todas essas reformas" num "ano determinante" seria "a democratização da nossa economia".