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A T-shirt Lovers quer “tirar a criatividade do desemprego”

“Qualquer pessoa pode ser um micro-empreendedor”. As pessoas vão ao site, escolhem a cor, o tamanho, o desenho e depois o produto vai parar a casa delas

“Se queremos criar uma página pessoal vamos ao Facebook, se queremos relatar a nossa vida vamos ao blogue. Em Portugal ou no mundo se queremos criar uma loja online vamos à T-shirt Lovers”. É esta a frase-chave da "start-up" portuguesa, T-shirt Lovers, uma comunidade que permite a criação de uma loja de t-shirts online.

Tudo começou pelas ideias efervescentes de João Freire de Andrade. Enquanto presidente do clube de empreendedorismo da Universidade Católica de Lisboa, a febre de criar negócios está-lhe no sangue. Então juntou cinco amigos e, em conjunto, decidiram criar uma plataforma que permita a jovens de todo o mundo ter a sua própria loja de t-shirts online. “Qualquer pessoa pode ser um micro-empreendedor”, afirma Manuel Rito, director de "marketing" e comunicação da T-shirt Lovers.

A ideia é que cada designer ou criador possa mostrar as suas criações numa montra visível a todo o mundo, gerir a sua loja e vender os seus produtos a um público alargado.

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O mais importante, diz Manuel Rito, é que esta "start-up" transforma-se numa comunidade. “No nosso site teremos uma base de dados de inúmeras lojas online e isso vai permitir aos criadores uma maior comunicação entre eles”, avança o director de marketing e de comunicação.

O que a T-shirt Lovers pretende é pegar nos inúmeros designers e criadores de todo o mundo e “tirar a criatividade do desemprego”. “Somos um povo extremamente criativo e esta é a oportunidade de pegar nesta geração à rasca e dar-lhe voz através das t-shirts”, salienta Manuel Rito.

Uma ideia além fronteiras

Vantagens há muitas. “Esta é a tua loja, os teus clientes, o teu risco – que é muito muito pequeno. Criámos um modelo que tem um investimento inicial muito baixo”, diz José Maria Moutinho, um dos criadores desta comunidade. O empreendedor realça, ainda, que a magia deste projecto é que os criadores fazem apenas aquilo que são bons e não têm que se preocupar com a parte operacional.

“Não há risco. As pessoas vão ao site, escolhem a cor, o tamanho, o desenho e depois o produto vai parar a casa delas. E os designers não se preocupam com isto. Apenas com aquilo em que são bons. Isto dá-lhes uma certa autonomia que é fundamental”, acrescenta.

Quanto à estampagem, o processo é simples. “É melhor falarmos em impressão e é sempre feita de acordo com a qualidade e o desejo do cliente”, diz Manuel Rito, referindo que a sua parceria técnica é a Stampa, uma estamparia portuguesa. O objectivo dos “pais” da T-shirt Lovers é torná-la uma plataforma e uma comunidade dinâmica.

“Por exemplo, se houver um concerto a própria banda pode criar uma dinâmica com o público. Lançam uma campanha no Facebook, dizem que têm, por exemplo, três t-shirts e quem as levar recebe uma recompensa”, diz Joana Tomé Ribeiro, uma dos seis elementos da "start-up" portuguesa. E o que é que acontece? “Torna-se uma ferramenta rentável”, salienta José Maria Moutinho.

“O 'feedback' tem sido muito bom”, dizem. O site foi lançado dia 18 de Julho. Nas primeiras 24 horas, 35 pessoas quiseram inscrever-se. Uma semana depois, tinham cerca de 130 pessoas. “Tivemos um mês de ‘incubação’ na "start-up" Lisboa para preparar o site e o lançamento e até agora está a correr muito bem”, comenta José Maria Moutinho. Os criadores desta "start-up" mostram-se satisfeitos por terem dado este passo “único e inovador”.

Por enquanto, pretendem cimentar o site português e ver como tudo corre em terras lusas, mas não querem ficar por aqui. Querem alargar os seus horizontes e esperam que a receptividade europeia seja tão boa como a portuguesa. “Provavelmente vamos ter que fazer o site noutras línguas”, diz José Maria Moutinho. E isso é fácil. “Este é um modelo escalável e foi tudo feito a custo zero. Não gastamos nada, nem com o site, nem com a publicidade, nem connosco, que estamos aqui de boa vontade”, acrescenta. Dizem que esta é a oportunidade que muitas pessoas precisavam para se libertarem das amarras do desemprego.

Admitem que este projecto tem pernas para andar e que estão confiantes quanto ao futuro. “Há gente que quer fazer coisas, quer trabalhar, quer ver projectos a acontecer. E é isso que basta”, conclui Manuel Rito.