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Bom gosto, bom senso ou a falta de ambos

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Forrar as paredes de acesso aos balneários das equipas que visitam Alvalade com imagens de adeptos de cara tapada (como se estivessem em pleno assalto de um qualquer supermercado), tronco nu repleto de tatuagens com símbolos associados a movimentos de extrema-direita, pose e expressão guerreiras próprias de quem se prepara para entrar num campo de batalha é esquecer que o futebol não é uma guerra, é um desporto. É considerar que o que de melhor o Sporting tem para oferecer a quem o visita são retratos de adeptos enraivecidos, empurrando assistentes de recinto desportivo à "má fila" e exibindo tochas (proibidas no interior dos estádios de futebol?). Dar publicidade a este tipo de comportamentos e atitudes é valorizar quem, na maior parte dos casos, não deveria sequer frequentar recintos desportivos. É alimentar formas doentias de encarar o desporto e que, muitas vezes, terminam com cadeiras a arder, adeptos no hospital e violência gratuita dentro e fora dos estádios. Considerar isto normal é... anormal. A falta de bom gosto e de bom senso de quem decidiu colocar aquelas imagens nas paredes que recebem os adversários do Sporting em Alvalade é gritante. E para perceber o absurdo da escolha basta reflectir nisto: alguém imagina que instituições como a UEFA ou a FIFA, por exemplo, forrariam as paredes dos balneários das competições que organizam com imagens deste género?

Pois é, impensável.