Fugas felizes

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Não vale muito a pena tentarmos fugir ao espírito da época. Gostemos ou não do Natal, ele está no meio de nós. Pelo menos até ao Ano Novo (e nalguns casos até aos Reis, consoante se levem mais ou menos a sério os preceitos ditados pelo calendário religioso) temos um balão de oxigénio que nos permite fingir que não há austeridade ao virar da esquina e que estamos realmente imbuídos dos sentimentos que mais combinam com as festas.

Um deles é pecado capital - a gula. Gostamos de rabanadas, de bolo-rei, de bilharacos, de sonhos, de aletria, de vinho do Porto. E gostamos, gostamos muito, de bacalhau - preocupemo-nos, portanto, em pô-lo na mesa, que a família é grande e tem apetite voraz. Até chegar às panelas, o bacalhau do nosso contentamento fez uma longa viagem, directamente das águas frias da Noruega. José Riço Direitinho esteve em Tromsø, bem no Norte do país, e ficou a saber os segredos da pesca do peixe que mais nos alegra os pratos. Conta tudo na edição natalícia da Fugas de hoje.

Também do Norte - ou melhor, do nordeste - vêm outras notícias. Ana Pedrosa e António Sá percorrem as aldeias do distrito de Bragança e compilam algumas das tradições mais enraizadas no que às Festas dos Rapazes diz respeito. Vão de Varge a Ousilhão, passando por Aveleda, e explicam como são estas celebrações que misturam rituais católicos com outros que respondem já à antiguidade pagã. As máscaras, os chocalhos e os trajes coloridos que enchem as ruas de tradição são, pois, uma forma diferente de viver a quadra que atravessamos.

Fugas felizes, apetece-me dizer. E, claro, boas festas.