Morreu Eurico Corvacho, um dos protagonistas do Verão Quente

O antigo capitão de Abril e comandante da Região Militar Norte (RMN)durante o chamado Verão Quente de 1975, Eurico Corvacho, morreu ontem em Lisboa, vítima de cancro. Corvacho integrou o núcleo duro do movimento de militares que levou a cabo o golpe que derrubou o regime ditatorial em 25 de Abril de 1974 e integrou o Conselho da Revolução durante o chamado período revolucionário.

Em mensagem de condolências, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, manifestou ontem o seu "enorme pesar", realçando o percurso de um dos "sócios fundadores" da organização. "Eurico Corvacho foi um dos principais militares de Abril no Norte do país, desempenhando papel fundamental na acção do Movimento dos Capitães e do Movimento das Forças Armadas na região do Porto. Na sequência do 25 de Abril seria nomeado pelo MFA chefe do Estado-Maior da Região Militar do Norte, que viria a comandar entre Março e Setembro de 1975, integrando o Conselho da Revolução até esta data."

Durante o período em que exerceu o comando militar a norte, Corvacho tornou-se no principal alvo dos movimentos contra-revolucionários que, a partir de Espanha, planeavam um contragolpe para derrubar o que prenunciavam como uma ditadura comunista.

Foi numa célebre conferência de imprensa, transmitida em directo pela RTP a 23 de Março de 1975, que Corvacho denunciou a existência do Exército de Libertação Português (ELP) e os preparativos para desencadear uma guerra civil, com o envolvimento e apoio do cónego Melo, da Diocese de Braga, e a conivência dos sectores mais retrógrados da Igreja.

Tido como um dos mais próximos de Vasco Gonçalves e integrante do núcleo duro da chamada esquerda militar que, durante os primeiros tempos, impôs o ritmo à revolução, acabou por sair do Conselho da Revolução na sequência da histórica assembleia do MFA realizada em Tancos a 5 de Setembro de 1975, quando também Vasco Gonçalves e todos os seus próximos foram afastados.

Poucos dias depois foi substituído no comando militar do Norte pelo moderado Pires Veloso, tendo passado à reserva em Novembro seguinte. com Lusa