As Figuras

Paulo Bento

Bento não foi a primeira aposta para apagar o fogo deixado por Queiroz. A ressaca do Mundial 2010, com a eliminação nos oitavos-de-final ante a Espanha, deixou vítimas e Queiroz foi a primeira. A sua saída deixou um vazio que Agostinho Oliveira ocupou nos dois primeiros jogos da qualificação ao Euro 2012 (empate com Chipre 4-4 e derrota com Noruega 0-1) como interino até se chegar a um nome: José Mourinho. O nome do técnico do Real Madrid veio à berlinda como o "salvador" para os restantes seis jogos. Mourinho acumularia dois trabalhos (clube e selecção). Mas o Real rejeitou a hipótese e não quis ceder o seu treinador.

Paulo Bento surgiu então como o nome mais forte. Mesmo sendo segunda escolha ("Não me importo de ficar atrás do melhor treinador do mundo", disse na apresentação), o ex-treinador do Sporting nunca escondeu o orgulho. Fechou o grupo e venceu os cinco jogos seguintes, colocando Portugal de novo na corrida. A derrota na Dinamarca (2-1) atirou a selecção para um play-off com a Bósnia. Empatou o primeiro jogo e, no decisivo, não falhou e fez valer a aposta. Nani

Foi o jogador mais utilizado nesta fase de qualificação. Titular indiscutível nos dez jogos, os oito do grupo mais os dois do play-off, somou mais minutos que ninguém: 170, mais que Raul Meireles, que participou nos mesmos jogos. Além dos minutos, o avançado conseguiu também golos, cinco, um registo que o coloca apenas atrás de Cristiano Ronaldo, o seu Némesis.

Nani já disse que não gosta de ser comparado a Ronaldo, mas o percurso de ambos é parecido. Desde o Sporting ao United onde impuseram o seu futebol, também ele parecido. Com uma diferença de dois anos, Nani é mais novo, o testemunho parece passar de mão. A única diferença é que Ronaldo com a sua idade já tinha chegado ao topo. Nani diz que quer ser o melhor do mundo. Ainda não é, mas pode ser o melhor do Europeu. Falhou o último Mundial por lesão, mas foi crucial nesta qualificação. Além dos golos (decisivos para as vitórias sobre a Dinamarca e Islândia), fez quatro assistências (uma delas no trunfo sobre a Noruega, por 1-0). No total, leva 12 golos e 51 internacionalizações. No actual grupo da selecção, só tem menos jogos que Ronaldo, Nuno Gomes e Meireles. Ronaldo

Fez oito jogos (em dez) e sai desta qualificação como o melhor marcador da equipa (7 golos). Os seus golos ajudaram Portugal, mas até ontem nenhum tinha sido decisivo - marcara em casa à Dinamarca (3-1), Islândia (3-1), dois a Chipre (4-0) e outro à Dinamarca, este insuficiente (1-2). Agora, foi decisivo com dois golos sobre a Bósnia.

Falhou os dois primeiros jogos do apuramento devido a lesão (empate com Chipre e derrota na Noruega), mas mesmo assim acaba esta fase liderando vários rankings: mais golos (0,8 de média), mais remates 25 (3,1), mais faltas sofridas 16 (2).

As suas três assistências (média de 0,4) coloca-o em segundo, atrás de Nani. Aqui, Ronaldo tornou-se mais decisivo nos jogos com Dinamarca, Islândia e Chipre.

É a quinta fase final ininterrupta que Ronaldo disputa desde 2004. É o terceiro melhor marcador de sempre de Portugal com 32 golos, igualando Figo (32) e atrás de Eusébio (41) e Pauleta (47). E o quinto com mais jogos, 86, atrás de Pauleta (88), Rui Costa (94), Fernando Couto (110) e Figo (127). Terá 27 anos no Euro 2012.

Rui Patrício

Patrício ganhou a baliza a Eduardo, uma troca de cadeiras protagonizada a meio da fase de apuramento (fizeram ambos cinco partidas). Apesar do erro de Eduardo na derrota da selecção por 1-0 na Noruega (quando entregou a bola a Erik Huseklepp), Bento, acabado de chegar à selecção para o jogo com a Dinamarca, não lhe virou a cara. Deu-lhe a titularidade nos três jogos seguintes.

Mas a chegada ao Benfica neste Verão tirou tempo de jogo ao internacional português, suplente de Artur na baliza "encarnada". E fê-lo perder espaço também na selecção, aqui perdeu para Patrício. O guarda-redes, titular no Sporting, conquistou a camisola 1 das "quinas" e não largou o lugar nos últimos cinco encontros (Chipre, Islândia, Dinamarca e Bósnia).

Convocado para o Euro 2008 por Scolari (foi suplente de Quim e Ricardo), falhou o Mundial 2010, pois Queiroz optou por chamar Eduardo, Beto e Daniel Fernandes. Agora, encara o Euro 2012 como titular da baliza.

Gilberto Madaíl

O líder máximo da FPF fez ontem o último "jogo" à frente daquele organismo (as eleições para o seu substituto serão no dia 10 de Dezembro). E fez muitos "jogos", desde que em Março de 1996 foi eleito presidente. Já tinha ocupado a cadeira da presidência do Beira-Mar e tinha cumprido um mandato de quatro anos na Associação de Futebol de Aveiro, mas foi com a selecção que se tornou conhecido.

No "currículo" conta com quatro apuramentos para fases finais de Europeus (Inglaterra 96, Bélgica/Holanda 2000, Portugal 2004 e Áustria/Suíça 2008) e duas participações em Mundiais (Coreia/Japão 2002 e Alemanha 2006). Conseguiu mais: Portugal é um dos cinco países totalistas em fases finais desde 2000. Ou seja, inverteu o curso da história.

Em 18 Mundiais desde 1934, Portugal só marcou presença em cinco ocasiões, três foram no seu mandato; e em 13 Europeus, a selecção alcançou cinco fases finais, quatro enquanto Madaíl estava ao leme da FPF (aqui fez o pleno). Pontos baixos do seu mandato de 16 anos são a ausência de títulos, principalmente a perda do Euro 2004 em casa, e o falhanço da presença no Mundial de 1998. Filipe Escobar de Lima

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