Cristiana Chivarria sente que os enfermeiros são subaproveitados em Portugal DR
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Cristiana Chivarria sente que os enfermeiros são subaproveitados em Portugal DR

Cristiana vai ter de emigrar para ser enfermeira

Cristiana Chivarria é enfermeira desde Julho, mas em Portugal não encontra trabalho por não ter experiência

Pode dizer que é enfermeira desde Julho, altura em que terminou a licenciatura em enfermagem na Escola Superior de Saúde (ESS) de Viana do Castelo. Mas Cristiana Chivarria, de 22 anos, não o sente na plenitude porque, segundo diz, as portas em Portugal estão fechadas para quem ainda não tem experiência. 

"Pedem gente com experiência e como eu não tenho nenhuma não me podem contratar. Se não me podem contratar também não consigo ganhar experiência e, assim, não entro em lado nenhum". Um ciclo vicioso.

E quando não é assim, é quase tão mau: "As outras possibilidades que tenho são sempre a recibos verdes ou a 2,25 euros à hora". Todo este cenário desencoraja a Cristiana "portuguesa", mas dá mais ânimo à Cristiana "globetrotter". E, atenção, está decidido: Cristiana vai mesmo emigrar.

Enfermeiros portugueses bem vistos 

Cristiana Chivarria compara o que dizem aqui e lá fora sobre a profissão

Reino Unido é a primeira opção. Suíça, talvez… Esses são os destinos mais prováveis onde Cristiana poderá vir a trabalhar como enfermeira, até pelo que tem ouvido de colegas que já lá estão. Mas não só por causa disso. Há umas semanas enviou currículos para o Reino Unido e o que lhe disseram foi música para os seus ouvidos.

"Têm-me respondido que vão procurar hospitais que estejam interessados em contratar enfermeiros recém-licenciados, mas também me dizem que são poucos os que querem isso. No entanto, como sou portuguesa, e como lá os enfermeiros portugueses são muito bem vistos, disseram-me que consigo ter boas perspectivas".

Mas se lá são bem vistos, cá, nem por isso. Cristiana sabe do que fala, porque fez Erasmus em Itália e consegue comparar o tratamento que teve lá fora com o que tem cá dentro. "Aqui, uma pessoa olha para nós e diz: 'São empregados de médicos'. Já lá fora, reconhecem o nosso valor".

E, segundo a prima de Cristiana, o valor dos enfermeiros portugueses é bem mais elevado do que o dos estrangeiros. Passe-se à explicação: Cristiana tem uma prima em França que está a formar-se em enfermagem. "Tenho falado com ela sobre o curso e não tem nada a ver com o nosso. Nós saímos da faculdade muito melhor preparados, porque temos mais prática, mais teoria e mais autonomia".

Mas nem por causa disso aumentam as oportunidades de emprego em Portugal. "Nós não somos bem aproveitados. Em termos de saúde comunitária, por exemplo, saímos muito bem capacitados, mas os Centros de Saúde [portugueses] não nos conseguem fazer render. Talvez porque o poder médico ainda esteja muito vigente", afirma Cristiana Chivarria.