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Académico de Viseu quer ser uma espécie de eucalipto

A assistência média no Estádio do Fontelo atinge as 1300 pessoas
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A assistência média no Estádio do Fontelo atinge as 1300 pessoas Carla Carvalho Tomás (Arquivo)

Clube beirão foi um dos que deu o pontapé de saída em mais uma época do futebol não-profissional. O emblema parte para a prova com ambições.

O final da temporada de 1988/89 representou para o Clube Académico de Futebol o ponto de partida para um percurso infernal. Nessa época, aquele que era vulgarmente conhecido por Académico de Viseu, mas que na realidade respondia pelo nome de Clube Académico de Futebol, abandonou a elite do futebol português. Seguiram-se despromoções consecutivas e um acumular de dívidas que obrigaram o Tribunal Judicial de Viseu a decretar, em 2006, a insolvência da colectividade. O clássico estádio do Fontelo ficou vazio. Por pouco tempo. O clube renasceu, numa fusão com um clube de uma freguesia do concelho, o Grupo Desportivo de Farminhão, com o nome por que foi sempre conhecido: Académico de Viseu. Passou pelos distritais, já chegou à II Divisão, mas não resistiu. Hoje, quando iniciar a participação na III Divisão (Série C), os seus responsáveis acreditam que será o primeiro passo para uma caminhada que deverá levar o emblema às provas profissionais.

"Estivemos a fazer um trabalho de credibilização para que as empresas voltem a confiar e a apostar no clube, essa fase acredito que está conseguida", explica António Silva Albino, que assumiu a liderança da colectividade em 2007 e fez questão de colocar nos estatutos da nova colectividade um artigo que obriga todas as direcções a deixarem o passivo a zero. "Acredito que a partir deste momento estão reunidas as condições para o AC Viseu se transformar no grande clube representante da Beira Interior", sublinha este dirigente que, para esta temporada, tem 200 mil euros de orçamento. "Tudo de forma sustentada", enfatiza, referindo que o seu grande sonho é disputar as provas profissionais já em 2013/2014.

Ao seu lado o vice-presidente Pedro Ruas salienta o facto de, mesmo na III Divisão, a assistência média no Estádio do Fontelo (com capacidade para 15 mil espectadores e propriedade da autarquia) atingir os 1300 espectadores. "Aqui temos várias vantagens. Temos uma cidade em crescimento, com bons acessos, boas infra-estruturas e a inexistência em termos de futebol. O AC de Viseu terá de ser uma espécie de eucalipto, no bom sentido, que seca tudo à sua volta criando potencial para oferecer a toda a Beira Alta futebol do mais alto nível", frisa este responsável da colectividade que tem todos os escalões de formação e movimenta em várias modalidades cerca de 500 atletas.

Potencial de I Liga

O empresário de futebol Jorge Manuel Mendes, que ainda tentou, em 2005, evitar o fim do clube, é um dos nomes que continuam a acreditar que Viseu tem potencialidade para ter uma equipa na Liga principal. "Estou convencido que poderia lutar pelos lugares europeus. Estamos a falar de uma região que adora futebol, que tem infra-estruturas e não tem praticamente passatempos alternativos. Quando tentei ajudar, num projecto que poderia posteriormente incluir o empresário Jorge Mendes [representante de Cristiano Ronaldo e Mourinho], verificámos que com a quantidade de dívidas existentes qualquer projecto seria inviável", diz. Mas ainda não desistiu. "Agora é diferente. O clube não tem passivo e tenho falado nele a potenciais investidores que se mostram agradados", continua o empresário, recordando que está a falar de "uma região que vive futebol e que na época de 1988/89, a última que esteve na I Divisão, conseguiu assistências só superadas pelos três grandes". Esta época, conta, já lá levou a Viseu três ex-jogadores portugueses internacionais que se mostraram muito satisfeitos com aquilo que viram e promete "continuar os esforços" para conseguir investidores.

Jorge Manuel Mendes recorda até que na derradeira época, antes da insolvência, na II B, o clube conseguiu vender camarotes de empresa a 25 mil euros. "Quantos clubes conseguem isso? Poucos, muito poucos", assegura.

Para já, o principal apoio vem do Grupo Visabeira, através do patrocínio do Centro Comercial Palácio do Gelo. Mas não vai muito além disso, apesar de o agregado empresarial investir em projectos de infra-estruturas desportivas de estágios e preparação de alta competição, apoiadas num hotel onde se concentrou a selecção nacional antes do Euro 2008 ou o FC Porto, quando foi pentacampeão. "Não estamos vocacionados para tomar conta de um clube. No que respeita ao AC Viseu, colaboramos dentro do possível", justificou o responsável de comunicação do grupo, José Arimateia.