Futebol

Árbitros exigem pedido de desculpas do Sporting para não boicotarem jogos do clube

Os árbitros portugueses colocam pressão sobre a Liga
Foto
Os árbitros portugueses colocam pressão sobre a Liga Pedro Cunha (arquivo)

Os árbitros pediram à Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) que interceda junto do Sporting para que o clube de Alvalade se retracte das críticas feitas ao sector.

“Não podemos tolerar pressões. Os árbitros já mostraram que estão unidos e pedimos junto da Liga que os árbitros tenham condições para fazer o que gostam, que é apitar jogos”, disse ao PÚBLICO Luís Guilherme, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), após uma reunião realizada nesta segunda-feira, em Leiria, em que participaram cerca de 50 árbitros e assistentes da primeira categoria e Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga.

Os árbitros vão esperar até ao final da semana, antes de tomar uma decisão sobre uma eventual continuação do boicote aos jogos do Sporting.

Ao que o PÚBLICO apurou, há árbitros internacionais que não concordam com a continuação de um boicote.

Esta reunião surgiu no mesmo dia em que se soube que o presidente da Liga escreveu uma carta aos líderes dos clubes das duas divisões profissionais a pedir contenção verbal relativamente à arbitragem, lembrando o acordo a que todos os clubes tinham chegado há poucas semanas.

“Na Assembleia-Geral [da LPFP] de 27 de Junho passado (...) fizemos aprovar, por unanimidade, uma forte penalização das declarações contra elementos de arbitragem desde a sua nomeação até à hora do jogo” recordou Fernando Gomes na missiva que a Agência Lusa ontem reproduziu.

Esta foi a forma encontrada pelo máximo responsável da LPFP para serenar os ânimos, mas não é líquido que o consiga. Ainda antes da reunião de Leiria, o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), acusou alguns clubes de quererem ter “privilégios”.

Sem nomear ninguém, Luís Guilherme deixou no ar a ideia de que o Sporting pretende um tratamento de excepção. “Para os árbitros, os clubes são todos iguais e tratados de igual forma, mas há uns que não percebem isso. Há clubes que pretendem ter privilégios que outros não têm”, acusou o presidente da APAF.