Com o desemprego a agravar-se, Portugal será o único país da OCDE em recessão em 2012

Previsões de Primavera confirmam estimativas europeias. Economia terá uma contracção de 1,5 por cento no próximo ano

a A confirmação chegou nas previsões da Primavera da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): a economia portuguesa será a única, entre os 34 países da instituição, a contrair no próximo ano. Depois de a Comissão Europeia já o ter previsto no quadro da zona euro, desta vez foi a OCDE a antecipar um recuo da riqueza produzida em 2011 e a estimar um cenário idêntico para 2012.

O mais recente relatório da organização liderada por Angel Gurría mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) vai encolher 2,1 por cento este ano e seguirá a tendência negativa em 2012, ao cair 1,5 por cento. O recuo vai em contraciclo com os dois aflitos da zona euro que já receberam assistência financeira externa - a Grécia, mesmo a braços com uma crise política e financeira, deverá conseguir crescer 0,6 por cento no próximo ano e a Irlanda 2,3.

A Comissão Europeia já tinha apontado, em meados de Maio, para uma quebra do PIB português de 2,2 por cento este ano e de 1,8 por cento no que aí vem. E o mesmo quadro negro estava traçado no relatório anual do Banco de Portugal, que afirmara que a recessão deste ano, "de magnitude elevada", persistirá em 2012. Alertava a instituição liderada por Carlos Santos: "A recessão prolongada será acompanhada de uma contracção sem precedentes do rendimento disponível real das famílias".

Se, há seis meses, a OCDE antecipava um crescimento do PIB de 1,8 por cento para o próximo ano, o relatório de Primavera não é mais do que uma revisão em baixa das previsões. Não só prevê um "enfraquecimento persistente da procura interna", como um aumento ainda mais expressivo do desemprego. Só as exportações devem manter-se dinâmicas.

Para executar a consolidação orçamental, escreve a organização, Portugal precisa de "tomar mais medidas" para colocar as finanças públicas no caminho da sustentabilidade, o mesmo que é dizer, reformas estruturais no mercado de trabalho e no sistema fiscal, para dar "maior potencial de crescimento e uma melhoria da competitividade". São medidas que estão previstas no quadro do programa de assistência financeira negociado entre o Governo de gestão e a missão externa internacional e cuja primeira fatia da ajuda chega aos cofres do Estado a 31 de Maio.

Desemprego nos 13%

A par do recuo da actividade económica, Portugal será dos poucos a agravar o nível de desemprego para lá de 2012, prevendo-se que no último trimestre do próximo ano chegue aos 13 por cento.

Para a OCDE, que recorre para estas previsões ao cálculo baseado na anterior metodologia do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego deverá situar-se nos 11,7 por cento no final do ano e, em média, nos 12,7 no próximo - 13 por cento no último trimestre.

Ou seja, o que a OCDE coloca, desde logo, como cenário é um agravamento do desemprego para além do próximo ano, quando os números mais recentes do organismo de estatística português mostram que o desemprego atingiu um recorde de 12,4 por cento no primeiro trimestre de 2011 (já de acordo com a nova fórmula de cálculo).

A subida apontada pela OCDE acompanha as previsões de Bruxelas, que, embora estimem uma subida superior já este ano (para 12,3 por cento), calculam igualmente que o desemprego escale para os 13 por cento em 2012.

A tendência é seguida, em parte, pelos outros países da periferia da zona euro em dificuldades. A Grécia terá uma taxa de desemprego de 16,4 por cento no próximo ano (mais 0,4 pontos percentuais do que em 2011). Mas será Espanha a manter-se no topo da lista dos países-membros com maior nível de desemprego (as estatísticas não contemplam dados sobre o desemprego dos 34 países), embora com uma ligeira descida dos actuais 20,3 perspectivados para este ano para 19,3 por cento em 2012.