Liga Europa

A fé no pontapé de Cardozo, a esperança na cabeça de Vandinho

Cardozo marcou o golo da vitória
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Cardozo marcou o golo da vitória Foto: Rafael Marchante/Reuters

O Benfica é um laboratório e vive tão intensamente os lances de bola parada que chega a deixar o seu futebol refém desse jogo, mais estático, prescindindo do movimento. A equipa de Jesus garantiu o golo da vitória sobre o Sporting de Braga (2-1) da forma mais irrepreensível. E é também um caso raro de sucesso do cruzamento entre ciência e religião. Assim foi ontem. Fez fé no melhor pé esquerdo que habita o futebol nacional, o do paraguaio Cardozo, num lance que exige a ciência dos sábios - um livre directo com tudo estudado. Ele que falhou dois golos certos, atirou ao poste nessas duas ocasiões, uma delas deu o primeiro golo da noite a outra desesperou a Luz. Do outro lado mora a esperança, com o golo nascido e criado na cabeça de Vandinho.

Tanto o Benfica como o Sp. Braga vivem da fé e da esperança, num trabalho religiosamente estudado. Foi Domingos que o disse na véspera. Quando se chega a uma meia-final europeia, os jogos resolvem-se nos pormenores. Deus está nos detalhes, já se sabe. E foi isso que ambas as equipas procuraram. Não descobriram deuses, mas Aimar e Vandinho, Cardozo e Hugo Viana mostraram-se maiores que os restantes e marcaram o jogo de ontem. A má notícia para os seus treinadores é que nem Aimar nem Vandinho vão jogar o segundo jogo, castigados pelo cartão amarelo.

O Benfica sofre sempre golos – é assim há 15 jogos consecutivos – mas também sabe que passou as eliminatórias cujo primeiro jogo terminou com 2-1 na Luz. Foi assim com PSG e Estugarda. Domingos também disse que o adversário ia sofrer golos, enquanto Jesus queria mais golos, Mas, no final, saíram os dois estranhamente satisfeitos quando o árbitro apitou. Portanto, parece que nada está decidido.

O laboratório do Benfica é essencial. Os jogadores “encarnados” chegaram a este jogo com 58 minutos a mais nas pernas que os seus adversários. O Sp. Braga fez um jogo em 11 dias, ao contrário dos 3 em 12 dos benfiquistas. Daí o estático em vez do movimento. Mas também tem a vantagem da experiência: esta foi a 12.ª meia-final da história das “águias”, contra a estreia bracarense.

Na Luz, houve mais Benfica. Mais remates (11 contra 8) e o guarda-redes do Sp. Braga trabalhou mais: Artur fez 4 defesas contra apenas 3 de Roberto. Mas foi o espanhol a assustar mais que o brasileiro – no golo parece mal batido, pelo menos mal colocado – e largou bolas que deixaram os adeptos assustados. Aimar pegou na equipa (e nos adeptos) e o estádio rendeu-se. Ofereceu o saber a Cardozo, jogou sem Saviola (andou desaparecido) e carregou o jogo “encarnado”, até na defesa. Opôs-se contra o futebol musculado dos “guerreiros”, só quebrado por Alan. Nos dois jogos anteriores, o Sp. Braga não tinha marcado na Luz, campeonato (1-0) e Taça (2-0). Voltou a sair derrotado, mas não tão cabisbaixo.


POSITIVO e NEGATIVO

+


Aimar
Dizia-se que não tinha forças. Falso. Dizia-se que tinha génio. Verdadeiro. Nesta quinta-feira, foi tudo. Ele foi o Benfica. Não joga em Braga e isso deve preocupar Jesus.

Vandinho
Ele é o motor do Sp. Braga. E a cabeça. Foi dele o golo, que pode valer uma final europeia. Também não joga o segundo jogo. E Domingos deve estar com pena.

Cardozo
É o mal amado na Luz e não se entende. Se querem golos é com ele. Mas tem de ser com jeitinho. E nisso o paraguaio tem-no de sobra, ao contrário de corrida. Não chega?

-


Paulão
É muito forte e conseguiu ir anulando o ataque do Benfica, mas deixou muito espaço no centro e o primeiro golo foi por ali.
Ficha de jogoBenfica, 2
Sporting de Braga, 1

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.Assistência
57.782 espectadores.

Benfica

Roberto

5

, Maxi Pereira

6

, Luisão

6

, Jardel

6

, Fábio Coentrão

6

, Javi García

5

, Carlos Martins

5

(Jara

5

, 65’), César Peixoto

5

(Gaitán

5

, 66’), Aimar

7

, Saviola

4

(Airton

-

, 86’) e Cardozo

7

.

Treinador

Jorge Jesus

Sp. Braga

Artur

5

, Miguel Garcia

5

, Rodríguez

5

, Paulão

4

, Sílvio

6

, Vandinho

7

, Leandro Salino

6

, Hugo Viana

6

(Mossoró

6

, 63’), Alan

7

, Meyong

5

(Custódio

5

, 56’) e Lima

5

(Kaká

-

, 84’).

Treinador

Domingos Paciência

Árbitro

Craig Thomson

6

, da Escócia.

Amarelos

Rodríguez (06’), Vandinho (39’), Miguel Garcia (43’) e Aimar (52’).

Golos

1-0, por Jardel, aos 50’; 1-1, por Vandinho, aos 53 e 2-1, por Cardozo, aos 59’.

Notícia actualizada às 23h24