Direcção de Pedro Passos Coelho desvaloriza alertas de Rui Rio e "conselhos" de Pacheco

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Passos Coelho garante que não está refém do Governo NFACTOS/Fernando Veludo

Discurso contracorrente do presidente da Câmara do Porto recebido sem entusiasmo entre a liderança dos sociais-democratas

Oficialmente, nem uma palavra. A direcção do PSD relativiza as declarações de Rui Rio a defender um "entendimento" entre os partidos, como o PS, para fazer "reformas profundas". Ou do deputado Pacheco Pereira sobre a hipótese de o Governo "cumprir a legislatura até ao fim". Vozes isoladas, afirmam ao PÚBLICO fontes da direcção de Pedro Passos Coelho. Ainda que sejam uma excepção no agora mais pacificado "barco" do PSD, este discurso em contraciclo causa alguns sinais de irritação. Um dirigente alerta mesmo que, com estas posições, pode reduzir-se a margem de manobra ao Presidente Cavaco Silva na resolução de uma eventual crise política.

O que disse Rui Rio, presidente da Câmara do Porto e potencial candidato à liderança? Que a mudança de Governo "é insuficiente". "Se houvesse eleições antecipadas, não haveria uma mudança de regime, mas uma mudança de Governo. Isto é de tal forma grave que uma troca de Governo é insuficiente", afirmou, na apresentação dos Grandes Debate do Regime, que a Câmara do Porto organiza a partir de 31 de Março. E o risco é mesmo o da "falência" do regime.

A resposta a esta insatisfação do ex-vice-presidente do PSD, lembram as mesmas fontes, tem sido dada com as propostas que os sociais-democratas têm feito. A começar pela revisão constitucional. Mais: do lado do executivo, segundo fontes do PSD, tem havido tudo menos vontade para os tais acordos.

Este discurso contracorrente dentro do partido - quando já se admite o apoio, a prazo, a uma moção de censura - tem outras vozes. Pacheco Pereira, por exemplo.

O deputado e ex-líder parlamentar afirmou esta semana, numa entrevista ao Diário de Notícias da Madeira, que "as democracias têm procedimentos" e defendeu que o Governo pode continuar "até ao fim da legislatura" se "conseguir manter a execução orçamental". Com isso, evitar-se-ia que "o primeiro-ministro se vitimizasse".