"Necessidade social" e "oportunidade de negócio"

Quase um em cada cinco portugueses tem 65 anos ou mais. Daqui a 20 anos os idosos poderão representar um quarto da população. Mas a Europa em geral tem um problema. Até 2030 estima-se que a população europeia entre os 65 e os 80 anos aumente quase 40 por cento - o que fará disparar a procura de serviços de saúde e assistência social, pondo à prova a sustentabilidade dos mesmos, refere a Comissão Europeia (CE) no Plano de acção para a utilização das tecnologias de informação e comunicação como forma de prestar melhores cuidados aos idosos.

Os cuidados aos mais velhos, assentes em novas tecnologias, são "uma necessidade social", mas também "uma oportunidade" de negócio que deve ser aproveitada, diz a CE. Existe mesmo um programa de investigação, com fundos comunitários, para desenvolver projectos "na área da vida assistida por ambientes inteligentes apoiados nas tecnologias de informação".

Teresa Almeida Pinto, da projecto Terceira Idade Online, não tem dúvida de que a teleassistência de que mais se fala em Portugal, "a da assistência em caso de emergência, é tecnologia do século passado", embora "continue muito útil". E lembra que há soluções disponíveis ou a serem desenvolvidas que vão muito mais longe.

Para já, o cenário que se vive na União Europeia é diverso. Um estudo sobre tecnologias de informação e comunicação e envelhecimento, financiado pela CE e publicado há um ano, dá conta do que se passa em 14 Estados (Portugal não foi incluído). A percentagem da população com 65 ou mais anos abrangida por serviços de teleassistência de 1.ª geração (basicamente os telealarmes) vai de 1 a 15 por cento.

Os serviços mais avançados - a chamada teleassistência de 2.ª geração, que passa pela colocação de sensores em casa, detectores de quedas, de ocupação de camas, sistemas com videofone - são menos frequentes. A dar os primeiros passos, diz-se, estão as "casas inteligentes" (com os seus sensores que alertam os idosos para a existência de aparelhos ligados, por exemplo). Mas já há vários projectos no terreno.

O documento dá conta das especificidades de cada país. Em Espanha, por exemplo, o retrato é este: a lei da promoção da autonomia pessoal, de 2006, define que serviços devem estar disponíveis para fazer face às necessidades das pessoas dependentes. E, entre eles, está a teleassistência. Cada comunidade autónoma estabelece uma comparticipação, que é variável. E cerca de três por cento dos idosos beneficiam de telealarme, a maioria dos quais são subsidiados.

Em Portugal, na Agenda Digital aprovada no ano passado, o Governo compromete-se a lançar projectos--piloto de teleassistência na área da saúde para "acompanhamento ao idoso e ou ao doente crónico". A.S.

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