Candidatos presidenciais entram em "guerra" de comunicados sobre cerimónias do Dia de Portugal

Sucederam-se ontem as reacções das partes envolvidas na polémica lançada pelo candidato Defensor Moura, no debate da passada quinta-feira com Cavaco Silva, sobre a alegada pressão que o Presidente da República terá feito sobre a Câmara de Viana do Castelo, a propósito das cerimónias do Dia de Portugal em 2008.

Invocando "as dúvidas suscitadas", Belém publicou no site o acordo celebrado com a Câmara de Viana do Castelo, na altura presidida por Defensor de Moura. O memorando definia que os locais para a realização de cada um dos 11 eventos do dia deveriam "ser disponibilizados pela câmara, livres de encargos para a Presidência", sendo também da sua responsabilidade a eventual necessidade de adequação dos espaços à natureza do "eventos". Em causa estavam dois desses eventos: A sessão solene e um dos dois concertos. No primeiro caso, o memorando estabelecia que a sessão solene iria "realizar-se no edifício de exposições da Associação Industrial do Minho", devendo "apresentar-se adequado à dimensão da cerimónia e o edifício em boas condições de conservação e restauro, sendo da responsabilidade da câmara a observação destas condições".

Defensor Moura havia denunciado a pressão da Presidência para realizar a cerimónia em determinadas condições. Ontem, insistiu através de um esclarecimento enviado às redacções: "Não foi aceite a proposta da autarquia de a realizar no magnífico Teatro Municipal e o arquitecto da equipa do PR fez um projecto de decoração interior de um pavilhão de exposições, que constituiu uma verdadeira tenda gigante e que orçou em 165 mil euros, para um acto de apenas uma hora e meia!"

O memorando assinala ainda a realização de dois concertos. Um oferecido pelo presidente ao Corpo Diplomático e outro público oferecido pela câmara. Sobre este, surge a exigência de ser "semelhante" ao primeiro: "A câmara deverá oferecer um concerto à população na Praça da Liberdade, cuja programação será igual (ou, na medida do possível, semelhante) ao programa do concerto que o Presidente oferece ao Corpo Diplomático." No seu esclarecimento, Defensor Moura reafirmou a "proposta feita à câmara municipal pela Presidência da República para se contratar a fadista, que tinha sido mandatária da juventude na candidatura de Cavaco Silva, para um espectáculo público em Viana do Castelo".

Sugestão que o candidato afirma ter recusado: "[A câmara] Realizou um espectáculo, de não menor qualidade, com artistas vianenses, que custou apenas seis mil e quinhentos euros." Mas a agência da fadista Kátia Guerreiro contestou as acusações, garantindo ter recebido cheque de Belém e não de Viana do Castelo. "É importante salientar ainda que todas as despesas relativas a essa actuação de Kátia Guerreiro nas comemorações do Dia de Portugal foram integralmente suportadas pela Presidência e não pela autarquia, como alegou Defensor de Moura ao afirmar que não houve comparticipação de custos por parte da Presidência." com Lusa