Defensor Moura irrita Cavaco Silva e obriga-o a explicar as acções que detinha da SLN, proprietária do BPN

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Cavaco Silva e Defensor Moura ontem à noite no debate televisivo NUNO FERREIRA SANTOS

Visivelmente irritado e sem quase conseguir ter tempo para fazer passar a sua mensagem eleitoral, Cavaco Silva foi ontem obrigado a explicar o caso das acções que possuiu na sociedade detentora do BPN, a SLN, depois de ter sido atacado frontalmente por Defensor Moura. Se no debate com Francisco Lopes Cavaco conseguiu passar ao lado da questão, ontem, na SIC, Defensor não lhe deu espaço para fugir. Depois de aludir ao facto de Oliveira e Costa, líder do BPN, ter sido secretário de Estado de Cavaco, Defensor lembrou que Cavaco possuiu acções da SLN e que "teve um lucro de 140 por cento com a sua venda". E Cavaco viu-se forçado a explicar-se.

Sobre Oliveira e Costa, o actual Presidente argumentou que nem pelos filhos se é responsável depois de saírem de casa e afirmou: "O que é que eu tenho a ver com a vida profissional de uma pessoa que esteve no Governo há 20 anos." De seguida, explicou que tem as poupanças aplicadas "em quatro bancos" e que, "seis anos antes" de se candidatar, aplicou no BPN os seus direitos de autor e uma herança da sua mulher. Fez mesmo questão de classificar as acusações sobre os lucros no BPN como "campanhas desonestas e sujas". Remetendo as informações sobre o seu património para o Tribunal Constitucional e para as Finanças, por mais de uma vez disse: "Para ser mais honesto do que eu, tem de nascer duas vezes."

O clima de tensão atravessou todo o debate, até porque logo de início Defensor Moura acusou Cavaco de ter favorecido uma câmara do PSD com a celebração do Dia de Portugal em 2009, quando recusou fazê-lo em Viana do Castelo nesse ano. Bem como de os serviços da Presidência terem aconselhado a contratação da fadista Kátia Guerreiro para um espectáculo. Cavaco apenas disse: "Não merece resposta." Mas Defensor nunca desarmou e insistiu em acusar Cavaco de falta de condições no plano do carácter: "Não tem isenção, favorece amigos e correligionários e não é leal, como não foi com Fernando Nogueira e com Santana Lopes." E acusou ainda o actual Presidente de falar como se fosse candidato a um cargo executivo, mas quando foi primeiro-ministro os fundos europeus foram "transformados em Ferraris". Assim como considerou que Cavaco passou o último ano "em campanha", pelo que "foi um Presidente absentista" e, por isso, responsável pela crise.

Cavaco tentou transmitir a sua mensagem de que quer contribuir para a resolução do desemprego e da dívida. E respondendo a Clara de Sousa sobre a promulgação do casamento gay, afirmou que um Presidente não exerce o mandato de acordo com suas convicções religiosas.