Cavaco Silva diz que alteração às leis laborais não resolve a crise

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Cavaco aproveitou debate na SIC para criticar Governo de Sócrates NUNO FERREIRA SANTOS

Nobre criticou actuação do actual Presidente. E obrigou-o a defender-se das críticas. Já Cavaco não se coibiu de se demarcar e de criticar o Governo

Na qualidade de candidato a novo mandato como Presidente da República, Cavaco Silva declarou ontem que "não é pela via da alteração da legislação laboral" que se resolve a crise em Portugal, naquilo que foi uma das críticas que fez ontem ao Governo de José Sócrates, ao intervir no frente-a-frente com Fernando Nobre, na SIC.

No duelo com Nobre, Cavaco acabou por se apresentar quase sempre na defensiva, insistindo no que são os poderes do Presidente e procurando defender-se dos ataques e das acusações de ter feito pouco enquanto Presidente e, por isso, ser também responsável pela situação do país.

Obrigado a uma intervenção justificativa da sua acção de cinco anos na Presidência e forçado a insistir nas limitações dos poderes presidenciais - de tal forma que Nobre acabou a dizer: "Não se vai para a Presidência da República para ser um vaso de flores" -, Cavaco não deixou, contudo, de apontar aquilo que são as suas ideias para tirar o país da crise.

Por outro lado, o actual Presidente não se coibiu de se demarcar das opções de José Sócrates. Fez questão de garantir que espera que "o Governo desenvolva acção" de forma a que o FMI não entre em Portugal. E, divergindo claramente do Governo, apontou o seu caminho para a saída da crise. Assim propôs "o aumento da produção nacional que concorre com a estrangeira" e garantiu, peremptório: "Não é pela via dos salários baixos."

Mas a maior parte do tempo que falou, Cavaco ocupou-se mais a justificar-se do que a responder a Clara de Sousa. E uma das questões em que mais se sentiu atacado foi na imagem de ser conivente com a aprovação de um "mau Orçamento".

Aliás, foi o próprio Cavaco que puxou para cima da mesa da discussão o Orçamento para 2011, dando-o como exemplo do que foi o seu exercício da magistratura de influência. "Empenhei-me muito para que fosse aprovado o Orçamento", disse, lembrando o risco de existir um Governo de gestão durante sete meses na actual situação e, a certa altura, afirmou mesmo: "A nossa cara estava muito perto da parede". Todavia, acabou o debate a lembrar que ainda não tinha recebido nem analisado o documento.

Mas Nobre não aceitou as explicações de Cavaco e perguntou "qual o interesse deste Orçamento que penaliza de forma trágica" as pessoas. Fazendo uma comparação com a sua área de formação, a Medicina, Nobre disse que este Orçamento era como um remédio que um médico forçava um doente a tomar, mesmo sabendo que não o curava e até o podia matar.