Portugueses são dos que mais acreditam que quem nasce pobre pobre permanecerá

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Pobreza está disseminada

Portugal surge no grupo de países mais pessimistas no último Eurobarómetro sobre pobreza e exclusão social

Os portugueses parecem acreditar pouco na ascensão social. Quando questionados sobre quais as razões por que as pessoas são pobres, o facto de se crescer numa família com necessidades e de não se ter recebido apoio dos familiares e amigos nas alturas certas é a principal explicação avançada. Uma percepção que diverge da média da União Europeia (UE), que aponta antes para a falta de qualificações como o principal motivo da pobreza.

No Eurobarómetro sobre a pobreza e a exclusão social, ontem divulgado, Portugal surge quase sempre no grupo de países mais pessimistas e que sentem mais dificuldades. Sobre as razões da pobreza o desemprego é o motivo que os portugueses mais apontam para explicar as crescentes dificuldades com que os cidadãos se debatem no país, um problema que consideram ter-se agravado desde o último inquérito, feito em 2009. O baixo crescimento económico também explica muita coisa mas para os portugueses, ter-se nascido numa família de baixos recursos revela-se uma fatalidade, algo em que também os romenos, gregos e cipriotas acreditam piamente.

A divergência de opiniões entre os europeus em relação à pobreza começa na própria definição do problema, intrinsecamente ligada às condições de vida de cada nação. Enquanto os países do Norte consideram que os pobres são aqueles cujos recursos não lhes permitem participar em pleno na sociedade em que vivem, os portugueses, acompanhados pelos irlandeses e italianos, são mais pragmáticos: é não se poder comprar bens básicos.

A par dos novos membros da UE, os portugueses são aqueles que mais defendem que a pobreza no seu país está disseminada. Porém, comparando os resultados com 2009, já não são tantos os que têm esta opinião: eram 88 por cento no ano passado contra 86 por cento em 2010. Mas 91 por cento consideram que este é um drama que tem vindo a aumentar. E o optimismo está pelas ruas da amargura. São poucos os portugueses (41 por cento) que acham que o futuro vai ser melhor. Só os franceses e os gregos são ainda mais pessimistas, em contraponto aos 90 por cento de suecos que acham que os próximos tempos só podem ser melhores. E de 2009 para 2010, o pessimismo ganhou terreno em Portugal: mais 11 por cento dos inquiridos perderam a esperança.

Para os ajudar nas dificuldades, os portugueses dão nota de confiança máxima às organizações não governamentais e às instituições religiosas. A nota mínima vai para o Governo, embora seja a este que cabe, asseguram, criar os meios para combater o problema, gerando mais emprego.

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