Paliçadas colocadas na praia do Guincho para reforçar protecção às dunas

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Varas de salgueiro funcionam como barreiras de protecção e regeneração das dunas MIGUEL mANSO

Ideia é fixar duna primária que está a avançar dez metros por ano rumo à Quinta da Marinha

A regeneração dos sistemas dunares do Guincho e da Cresmina é uma das iniciativas em curso ao abrigo de um projecto de valorização do Parque Natural de Sintra-Cascais. Segundo a agência municipal Cascais Natura está também prevista a criação de centros de interpretação e percursos temáticos em locais estratégicos daqueles dois municípios.

Quem passa pela praia do Guincho pode observar uma curiosa "plantação" de barreiras formadas por varas de salgueiro secas, com cerca de metro meio de comprimento só parcialmente a descoberto na areia, espaçadas alguns metros entre si. Trata-se, como explica João Melo, administrador da Cascais Natura, de um conjunto de "regeneradores dunares" destinados a fixar a duna primária, que nos últimos tempos "tem avançado dez metros por ano para sul, em direcção à Quinta da Marinha".

As preocupações com a Quinta da Marinha não se resumem aos empreendimentos imobiliários de luxo, mas também ao parque de campismo e outros equipamentos ali existentes. Assim como a estrada que liga Cascais a Sintra, pela costa, que atravessa ao meio o sistema dunar Guincho-Cresmina. Nesse sentido, o investimento no reforço das dunas visa também criar condições para que a praia possa resistir melhor à forte erosão marítima de que foi alvo no último Inverno.

Para além da fixação das areias, numa intervenção que começou há cerca de um mês, estão também previstos a criação de um Centro de Estudos e Interpretação da Natureza no Pisão de Baixo, em Alcabideche - propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Cascais -, gerido em parceria com a Cascais Natura. Para lá do apoio aos visitantes, o objectivo passa igualmente pelo aumento da fauna, como perdizes e coelhos, o prato forte da dieta das rapinas que nidificam na serra de Sintra.

O projecto, a desenvolver em articulação com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e as câmaras de Cascais e de Sintra, incluiu a criação de seis núcleos de interpretação temáticos, a partir dos quais os visitantes podem dispor de locais de observação e percursos pedonais, cicláveis ou equestres.

No concelho de Cascais, a Cresmina será dedicada às dunas, no Abano serão explicados os fenómenos geológicos, ao passo que na Biscaia se dará atenção à geomorfologia e avifauna. No município de Sintra estão projectados mais três: Peninha (fauna e flora), cabo da Roca (paisagem e vegetação) e Adraga (dinâmica da vegetação).

"O que se pretende é que os visitantes, em vez de andarem perdidos no parque natural, possam fazer visitas dirigidas de acordo com a sua preferência e aliviar a pressão das zonas mais sensíveis", explica João Melo. O projecto, está orçado em 3,6 milhões de euros, que serão comparticipados em 50 por cento por verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional, 22,5 por cento pelo Instituto do Turismo de Portugal e o restante pela autarquia.