Abandono e poucas excepções no Porto

a Na Foz do Porto, em plena Avenida do Brasil, o número 531 alberga a casa onde o poeta António Nobre viveu com o irmão Augusto e onde morreu, em 1900. A antiga habitação do autor de é hoje propriedade privada e encontra-se desabitada e degradada. A placa alusiva ao poeta mandada colocar pela Câmara Municipal do Porto e datada de 1949 foi arrancada da fachada do prédio em 2007, não tendo ainda sido reposta.

Ponto de encontro do movimento cultural portuense de inícios do século XX, a casa onde a filóloga e escritora Carolina Michaelis viveu, com o marido Joaquim Vasconcelos, na Rua de Cedofeita, tem mudado frequentemente de proprietários sem, no entanto, sofrer obras de reabilitação que lhe devolvam a dignidade. Não apresentando qualquer placa que a identifique, a habitação foi propriedade do jornalista e escritor Manuel António Pina, que a vendeu em Maio deste ano a Ricardo Pereira. Já na antiga Rua do Calvário, hoje do Dr. Barbosa da Costa, nasceu Almeida Garrett em 1799. Datado do século XVIII, o imóvel apresenta uma placa evocativa ao escritor de Folhas Caídas desde 1864. A informação mais recente que o Cidades conseguiu apurar aponta para que a casa pertença a uma imobiliária e se encontre habitada parcialmente.

A violoncelista Guilhermina Suggia viveu numa casa da Rua da Alegria, construída em 1911, que ostenta uma placa evocativa desde 2007. Delegação do Porto do Instituto de Medicina Tradicional, esta é uma das poucas excepções no que concerne a casas que albergaram escritores, músicos e arquitectos no Grande Porto. Situação igualmente atípica passa-se com a Casa do Cinema Manoel Oliveira, mas neste caso porque o projecto já tem edifício desde 2003, propriedade da autarquia portuense. Da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, a Casa do Cinema, localizada na Rua do Arq. Viana de Lima, continua sem servir o propósito para a qual foi construída: não tem cinema nem tão-pouco o espólio do centenário realizador de cinema. O Cidades tentou obter esclarecimentos por parte da Câmara do Porto, sem sucesso.

Em Matosinhos, terra que viu nascer o arquitecto Álvaro Siza Vieira e que assistiu à morte da poetisa Florbela Espanca, o cenário relativo às habitações é díspar. No caso do edifício onde o arquitecto nasceu, em 1933, o interesse demonstrado pela câmara municipal materializou-se na compra da casa, construída no fim do século XIX. Pelo valor de 275 mil euros, a autarquia passou a proprietária do edifício situado na Rua de Roberto Ivens e aí instalou o Centro de Documentação Siza Vieira. Inaugurado a 25 de Junho de 2009, este centro servirá de depositório de todo o espólio do arquitecto, desde variados esquissos a maquetas. Em vias de classificação como imóvel de interesse municipal, a vivenda onde Florbela Espanca viveu e morreu, em 1930, esteve na posse de uma imobiliária que a vendeu há alguns meses a um privado. Com placa evocativa desde 1949, a casa localiza-se na Rua do 1.º de Dezembro.

Local de trabalho de Soares dos Reis e onde o escultor se suicidou em 1889, o edifício da Rua de Luís de Camões, em Vila Nova de Gaia, é propriedade da Universidade do Porto (UP). Gerido pela Gaianima-Equipamentos Municipais, o atelier do escultor encontra-se fechado. Em 2008, foi anunciada a transformação do espaço num atelier-museu, fruto de uma parceria entre a autarquia gaiense e a UP. Contudo, fonte da Gaianima garantiu ao Cidades que a empresa municipal não tem qualquer ligação com o projecto, o qual não está previsto avançar. Ana Maria HenriquesSalete Salvado,

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